08 de julho de 2026
Geral

Aprender: trunfo de empregado antigo

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Na semana retrasada, José Carminato, 65 anos, deixou o Bauru Tênis Clube (BTC) após 42 anos de trabalho diário. Um churrasco na segunda-feira à noite marcou sua despedida. Carminato, que foi chamado de “funcionário-símbolo” do BTC, faz parte de um seleto grupo de pessoas que passam quase que a vida toda dentro de uma única empresa.

São funcionários que sobreviveram às seguidas crises econômicas pelas quais passou o País. Não só permaneceram como também cresceram dentro da empresa, pois tiveram disposição de aprender sempre, de aceitar e se adaptar às mudanças.

É comum, nas rodas de amigos, ouvir comentários em tom de gozação que fulano de tal virou “patrimônio” da empresa por causa dos incontáveis anos de prestação de serviço. Brincadeira à parte, esses “patrimônios” exercem papel fundamental dentro de uma empresa, na opinião do empresário Ricardo Coube.

Segundo ele, os funcionários mais antigos dão um toque de sabedoria e experiência necessário em qualquer ambiente de trabalho. Junto com os mais jovens, eles formam a equipe que toda empresa almeja. Ou seja, uma mescla entre juventude e experiência. “É como uma equipe de futebol. Quando você consegue reunir em um mesmo elenco jogadores jovens com outros mais experientes, são grandes as chances de sucesso”, compara o empresário.

Antonieta Mariuzzo Ferreira da Rocha, 55 anos, é uma integrante da equipe formada por Coube. Ela trabalha na Tiliform desde a criação da empresa, em 1989. Antes disso, porém, Antonieta permaneceu 16 anos na Tilibra. Somados aos 17 anos que ela está na Tiliform, são 33 anos servindo a família Coube e não pensa em parar. “É melhor deixar para pensar nisso quando o dia chegar. Enquanto isso, procuro desenvolver minhas competências com o maior prazer. O aprendizado é contínuo e constante”, diz ela.

Na opinião da gerente da unidade Gelre (especializada em recursos humanos) em Bauru, Gabriela Casério, é justamente essa disposição de aprender sempre que garante a estabilidade ao funcionário. Segundo ela, as empresas vêem com muito bons olhos os empregados que procuram estar sempre se reciclando e adquirindo novos conhecimentos.

E é isso que procura fazer Ana Maria Vocci Caricati, que trabalha há 27 anos em uma empresa de telefonia. Durante esse tempo, ela passou por vários setores executando diversas funções e atividades dentro da empresa. De auxiliar administrativa passou para as áreas operacional, comercial e atualmente está na institucional.

Cada etapa, segundo Ana Maria, trouxe um novo desafio dentro da empresa e propiciou um crescimento tanto em sua vida profissional quanto pessoal. Ela voltou a estudar e a cada dia que passa diz estar disposta a adquirir novos conhecimentos. “Enquanto o funcionário estiver motivado e comprometido com a empresa, não tem idade. A experiência é um fator relevante e deve ser valorizada”, diz Ana Maria.

Para o consultor institucional Helio Spinosa, quando o funcionário “é profissional com P maiúsculo”, estará sempre produzindo bons resultados, independentemente do tempo em que está na empresa. Mesmo depois de 33 anos trabalhando no mesmo lugar, Spinosa não pensa em parar. “Aposentadoria? Ainda é cedo para pensar nisso. Quero continuar trabalhando”, diz.