A secretária Angélica Aparecida Roberto concorda com a tese de que é preciso estar sempre se reciclando para atender as exigências da empresa, mas cita outros dois aspectos que exercem influência direta no interesse do funcionário em permanecer: o ambiente de trabalho e a disposição em “vestir a camisa” da empresa.
Segundo ela, às vezes é preciso se desdobrar para oferecer um pouco mais, ficar além do horário normal de serviço para atender a demanda em um dia que a empresa esteja necessitando.
Em seus 46 anos de vida, Angélica está há 29 no colégio Liceu Noroeste. Seu primeiro e único emprego até agora. Começou como bolsista quando tinha 17 anos.
Nesse tempo, ela fez duas faculdades, comprou casa, carro e outros bens. “Tudo o que eu tenho foi adquirido graças ao meu trabalho aqui dentro”, diz ela.
Angélica lembra com orgulho e saudade de sua convivência diária com o ex-aluno Marcos Pontes, hoje astronauta mundialmente conhecido. Muitos outros também saíram dali para ocupar um lugar de destaque na sociedade e Angélica acompanhou a trajetória deles de perto, viu-os crescer, assim como está vendo os alunos de hoje, futuros profissionais.
“Para permanecer durante todo esse tempo (são 29 anos), é preciso muito esforço, fazer cursos, aprender novas funções. Tem de gostar do que faz. Tem de vestir a camisa. Esse é o segredo”, ensina.
Lição que a auxiliar administrativa Teresinha de Jesus Brasil de Moraes, 43 anos, aprendeu direitinho. Há 20 anos convivendo com Angélica na secretaria do Liceu Noroeste, Teresinha viu seus dois filhos (Elton de 19 anos e Eloise de 17) se formarem na escola onde trabalha.
Segundo ela, o ambiente de trabalho tem papel fundamental na permanência do funcionário dentro da empresa. “Nós passamos mais tempo da nossa vida dentro da empresa e com os colegas de trabalho do que em casa com a família”, lembra ela.
Por esse motivo, Teresinha fala da importância do respeito entre as pessoas que trabalham juntas, o que inclui a direção da empresa. “É preciso que haja um respeito mútuo”, afirma.
É o ambiente de trabalho agradável que tem segurado Isaurino Pinheiro da Silva, 45 anos, durante tanto tempo na Ebara, empresa que fabrica motobombas submersas. Já são 29 anos e oito meses e ele não tem idéia de quando vai parar.
“Descobri que gosto demais do meu local de trabalho, me sinto muito bem aqui porque o ambiente é agradável e eu acho isso fundamental”, justifica ele. Isaurino começou como auxiliar de serviços gerais e hoje é o responsável pelo setor de montagem e testes das bombas.
O torneiro mecânico Antônio Valério Prado, 53 anos, é outro “arquivo vivo” da Ebara em Bauru. Na empresa desde 1975 (e lá se vão 32 anos), ele garante que o ânimo hoje para fazer seu trabalho é o mesmo de quando começou. Ele diz se sentir realizado profissionalmente e nem imagina como será a vida quando não precisar mais levantar cedo e não tiver mais o torno à sua frente. “Será difícil me desligar daqui depois de todos esses anos. Eu sinto como se aqui fosse a extensão da minha casa”, comenta.
A Ebara tem atualmente cerca de 162 funcionários diretos e outros 208 indiretos. Quando José Seite Toshioka, 56 anos, foi contratado, a empresa não tinha mais do que 21 funcionários. As máquinas ainda estavam chegando. Isso foi há 30 anos. De lá para cá, Toshioka deixou a função de torneiro mecânico, foi inspetor de qualidade e hoje é o responsável pelo setor de corte e prensa.
Na medida em que aumentavam os anos dentro da empresa, Toshioka foi conquistando novos espaços. Ele chegou inclusive a ficar 40 dias no Japão, participando de treinamento. Por todos esses desafios, Toshioka diz estar sempre motivado e sem a mínima disposição de parar.