09 de julho de 2026
Cultura

Danilo e Teté: caminho leve em novo CD

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Vencedores do Festival de Música da TV Cultura, realizado em 2005, com a canção “Contabilidade”, os músicos paulistas Danilo Moraes e Ricardo Teté lançam agora seu primeiro álbum “brasileiro”, “A Torcida Grita” (Cultura Marcas, Baticum Discos e Tratore). “Brasileiro” porque os músicos são autores de “51”, lançado pelo selo Madioko apenas na França, em 2005.

Entretanto, apesar do “rebento” ser nacional, as faixas do disco têm um pezinho na terra do croissant, já que Moraes e Teté passaram períodos dos últimos anos trabalhando e divulgando a música brasileira do outro lado do Atlântico.

“Teté foi morar na França em 2001 e eu fui depois. Lançamos um disco independente lá, onde está ‘Contabilidade’, que é a música que ganhou o festival. ‘A Torcida Grita’ surgiu com produção da TV Cultura e tem músicas inéditas compostas nesse período em que estivemos na França, algumas coisas do ‘51’ e outras do baú”, comenta Moraes.

Apesar de planejado na França, “A Torcida Grita” foi totalmente gravado no Brasil - em pouco mais de três meses. “Sempre tocamos música brasileira e a França não mudou nosso estilo. O disco foi 80% criado por lá, pensando em coisas da França e lembrando do Brasil. Acho que vamos demorar para enxergarmos o que tem da França e o que tem do Brasil nas músicas, por conta dessa mistura”, analisa o músico.

Moraes revela que Teté ainda está na França, tocando com sua banda - Orquestra do Fubá -, e deve voltar ao País nos próximos meses para a dupla dar início aos shows de “A Torcida Grita”. Os dois devem lançar também um DVD do mesmo projeto, com as gravações em estúdio e making of do disco.

Para Moraes, a sonoridade que a dupla planejou para o álbum tem muito da história dos dois músicos, autores do sucesso do forró universitário “Beijo Roubado”, composta há dez anos. “Nos conhecemos desde o colégio e tocamos juntos há mais de dez anos. Nossas influências vêm da MPB, Caetano, Gil, Chico, João Gilberto, e também da mistura de ritmos, do forró, do rock, da música cubana”, aponta.

Contemporâneo

“Nem que a Vaca Tussa” e “Arredondamento”, músicas que abrem “A Torcida Grita”, têm em comum elementos que vêm permeando a MPB mais criativa dos últimos anos, em especial as composições de Lenine, Pedro Luís, Luiz Tatit e outros nomes: a contemporaneidade de expressões, a enumeração de situações cotidianas e o jogo de palavras, nomes e idiossincrasias que, estudos aprofundados à parte, parecem derivados diretamente da música de Chico Buarque e Tom Zé.

Na primeira, o pandeiro faz contraste com o arranjo delicado – que, ao vivo, deve ganhar força com guitarras ou um violão furioso, assim como em “Teresa e a Torcida”, em que a brandura das vozes de Moraes e Teté fica acima do suingue da música.

“Arredondamento” tem clima de samba rock preguiçoso e francês demais, enquanto “Viva Vaia”, composta após a vitória no Festival da Cultura – quando receberam uma vaia de parte da platéia – se faz bela na ironia de desabafo. “Se nem no Credicard Hall que o pariu/ Quem pediu silêncio/ Quem inventou o Brasil?/ Silêncio, eu aceito o argumento”.

A leveza da MPB paulista é marcada em “Tintim”, “Sempiterno” (com participação do grupo Sujeito a Guincho) e “Juvenília”. “Relativismo” é samba sem cair na fórmula do “feito para exportação”, e “Contabilidade”, a polêmica vencedora, ganhou arranjo mais “épico”, com violino, viola e violoncelo.

Mais informações sobre o trabalho de Danilo Moraes e Ricardo Teté no site www.myspace.com/danilotete. Há também links para os perfis dos trabalhos solos dos dois músicos.