08 de julho de 2026
Internacional

Brasil participa de estudo da expansão do Universo

Folhapress
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Uma equipe de pesquisadores brasileiros vai participar do primeiro grande projeto internacional para investigar a energia escura, uma entidade cósmica de origem misteriosa que faz o Universo se expandir de maneira acelerada. Em janeiro, cientistas de diversos institutos liderados pelo Observatório Nacional (ON) e pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) firmaram acordo para participar do Levantamento de Energia Escura (DES), na sigla em inglês).

Com início previsto para 2010, o projeto usará um supertelescópio em Cerro Tololo, no Chile, para mapear grande parte do céu do hemisfério Sul. “O objetivo é ter uma amostra estatística bastante grande de aglomerados de galáxias, para entender como é a distribuição deles’’, disse o coordenador do grupo brasileiro no DES, Luiz Nicolaci da Costa, do Observatório Nacional. “Isso permite criar vínculos (entre os dados) e medir a natureza da energia escura.’’

Para cumprir seu objetivo, o DES criará um grande volume de dados sobre distribuição de galáxias, aglomerados de galáxias, supernovas (explosões estelares) e matéria escura (que não emite radiação). Tudo isso será observado em diversas freqüências de luz, o que permite medir precisamente com que velocidade essas estruturas se afastam entre si. Especulação einsteiniana Uma das teorias para explicar a energia escura surgiu de uma idéia de Einstein, a de que o vácuo seria permeado por uma espécie de força que se contrapõe à gravidade.

Para saber se isso está correto ou se a energia escura é algum outro tipo de entidade, será preciso medir a expansão do Universo ao longo do espaço de maneira mais precisa. É isso que o DES pretende fazer, por exemplo, para saber se a densidade dessa energia varia no espaço. Para tirar fotos ultradetalhadas de porções grandes do céu, o consórcio, liderado pelos EUA construirá um mosaico de 65 grandes CCDs. Trata-se de captadores eletrônicos parecidos com o das câmeras digitais domésticas, mas bem mais potentes: no DES são 500 megapixels, contra 5 da sua máquina.

O Brasil bancou 1% do orçamento inicial de US$ 30 milhões do projeto e mobilizará uma equipe de dez pesquisadores para fazer softwares que vão gerenciar, processar, e armazenar os dados do DES. As observações vão começar em 2010 e devem durar cinco anos. O levantamento vai consumir apenas 30% do tempo útil do telescópio e das CCDs, que poderão ser usadas para outros projetos.