Passageiros do vôo 4769 da Pantanal, que saiu de Bauru na tarde (16h22) de sexta-feira tendo São Paulo como destino, viveram momentos de pânico durante a viagem. O avião perdeu altitude e chegou a despencar em bico. O desespero levou cerca de dez minutos, conforme relatos colhidos pelo JC.
Mas o clima de apreensão entre os que haviam comprado passagem começou antes da decolagem. “Embarcamos com dez minutos de atraso. Por causa do mau tempo em São Paulo, o aeroporto de Congonhas estava com lençol de água provocando deslizes às aeronaves”, conta a publicitária Maria da Glória Ribeiro Cruz.
Ela e uma amiga sentaram nos primeiros lugares (1A e 1B), de frente para todas as pessoas que lotavam a aeronave. “O serviço de bordo começou logo após a decolagem. O piloto nos informou que nosso vôo sofria uma redução de velocidade, para a metade, para não ter que ficar rodando sobre São Paulo, já que se previa uma fila de aeronaves para aterrissar em Congonhas”, relembra.
De repente, sentiram uma turbulência. A situação piorou quando a aeronave passou a virar na vertical. “Depois (no chão e em segurança), o comentário era de que, neste momento, havíamos caímos de um altura de 1,5 quilômetro”, comenta uma outra passageira, que pediu para ter o nome preservado.
“Entreguei a Deus. Percebi que poderia acontecer um trágico acidente. Lembranças da vida me tomaram a mente, motivos e o que eu ia sentir na queda do avião. Neste momento, comecei a rezar o Pai Nosso alto e as mulheres que estavam por perto me acompanharam. Já os homens faziam gritar. Outros, a exigirem da aeromoça uma explicação”, conta a publicitária.
Hélice
Um pouco antes, uma outra aeromoça lhe havia perguntado se havia visto algum problema no funcionamento das hélices ou dos motores. “Sentimos que estávamos a esmo. A partir desse momento, a cabine ficou travada e outra aeromoça pedia para que apertássemos os cintos. Não havia nenhum passageiro em pé, mas por conta dos solavancos, muitos de nós foram jogados ao chão”, explica Cruz.
A partir de então, ela conta ter sentido o avião cair de bico. Depois, estabilizou. “Neste momento, o piloto disse que estava tudo sob controle. Até o momento de aterrissagem, vivemos momentos de dúvida sobre nossa segurança e confesso que, um pouco antes, convivia com a certeza de morte. Não tenho dúvidas da bravura de nosso piloto”, conclui a passageira.
Diante do problema, o vôo 4769 foi autorizado a pousar no aeroporto de Viracopos, em Campinas. O mais próximo de onde estavam, conforme o JC apurou. Ontem, a reportagem tentou contato com a Pantanal em Bauru e São Paulo, mas até o fechamento dessa edição ninguém havia retornado às ligações.