08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Sobre viver e o sobreviver


| Tempo de leitura: 3 min

A dupla duela dentro de nossa própria existência, sem que nossos olhos enxerguem. É como se estivéssemos, muitas vezes, limitados por uma lente que nos torna indiferentes. A dupla formada pelo “viver” e pelo “sobreviver” passa, muitas vezes, despercebida e a cada dia estamos vivendo um pouco menos e sobrevivendo um pouco mais. É claro que a visão que cerca o conceito de viver e sobreviver está ligada a muitas variáveis e pode ser analisada sobe diversos ângulos. Mas, analisando sob um único ângulo, temos o quadro.

Em 2005, foram gastos US$ bilhões por causa de catástrofes naturais. O Sol apresenta na Terra os efeitos de sua intensa atividade e explosões. Até 2050 podem restar apenas 53% da floresta Amazônica... Se tudo isso está acontecendo, vale refletir sobre a seguinte pergunta: quando as pessoas deixaram de enxergar que o planeta é a sua casa?

A qualidade de vida diminuiu. Os rios circulam fétidos, não há mais árvores para purificar o ar, não há como escoar a chuva por causa do lixo jogado no chão. O viver torna-se cada vez mais sobreviver. E nos acostumamos com o novo e o feio padrão de poluição ambiental, visual e sonora.

A mente acaba contaminada pela falta do bonito. Os padrões do que seria bom vão baixando e cada um espera que o outro ou o governo resolva o problema do buraco da calçada que fica em frente à porta de casa.

O “viver” pode voltar a vencer, mas depende de muitas medidas que exigem esforço. Talvez a primeira delas seja a conscientização sobre a importância do que seria a própria casa. Muitos tomam atitudes nas ruas que não tomariam na própria casa, como, por exemplo, atirar o inocente papel de bala pela janela do carro. Mas por que na rua pode e no tapete de casa não pode? A rua também é minha casa. O parque é minha casa e floresta também.

Aqueles que não se importam em jogar um papelzinho de bala no chão multiplicam essa atitude entre seus amigos, familiares e filhos. Os que não se ocupam em fechar a torneira enquanto estão fazendo a barba ou escovando os dentes atuam da mesma maneira. Há ainda os que consideram inútil a reciclagem porque “não são todos os que fazem mesmo”e há os que ficam felizes ao pensar que não terão de conviver com toda essa problemática por muito tempo porque vão morrer.

Mas se todos vamos morrer, a Terra que nos hospedou vai continuar abrigando outros que viverão cada vez menos e sobreviverão cada vez mais. Sobreviverão enquanto ainda houver possibilidade de respirar, enquanto a água ainda for potável. Se cada um cuidar da própria casa o mundo melhora. Se a casa de cada um for o planeta Terra pode ainda existir uma saída favorável para esse duelo. Como está a sua casa, o que você tem feito para melhorar a vida na Terra e da Terra? Já parou para pensar? Não demore, pois pode ser tarde demais!

Nelson Pizzo Filho - empresário