08 de julho de 2026
Nacional

Marta assume liberada para 2008

Por Kennedy Alencar, Pedro Dias Leite e Eduardo Scolese | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - A ex-prefeita de São Paulo aceitou em conversa ontem à noite com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comandar o Ministério do Turismo. Ela tomará posse na sexta-feira, mesmo dia em que Walfrido dos Mares Guias deixará o Turismo e assumirá as Relações Institucionais - pasta que cuida da coordenação política. Por ora, a Infraero, estatal que administra os aeroportos, não ficará sob a alçada da pasta.

No entanto, segundo a reportagem apurou, o presidente não descarta adotar esse formato no médio prazo. Motivo: está contrariado com a falta de solução para a crise no setor aéreo e avalia que o ministro da Defesa, Waldir Pires, perdeu as condições de resolver o problema. Ironicamente, o encontro entre Lula e Marta, marcado para o meio-dia, só aconteceu às 18h30 porque o vôo da ex-prefeita atrasou. Ela veio de São Paulo para Brasília. Eleições e “upgrade”

A petista se esquivou de comentar eventual saída da pasta para disputar a Prefeitura de São Paulo em 2008. “Nem foi tocado esse assunto, não falamos disso.” Segundo a petista, não houve pedido do presidente para que ela fique nos próximos quatro anos no cargo.

Lula deu aval para que ela deixe a pasta em 2008, mas Marta titubeou, pois não está certa de que irá se candidatar. Marta também negou já estar pensando em candidatura ao Planalto em 2010, apesar de ser uma das potenciais candidatas do partido. “Não, (estou) de olho em fazer um bom serviço no Ministério do... Turismo.”

A ex-prefeita aceitou o Turismo a contragosto. Preferia Cidades ou Educação, pasta para a qual foi cogitada pelo próprio Lula em conversas reservadas. O temor de um choque entre Marta e Dilma Rousseff (Casa Civil) foi o fator que mais pesou contra a ida dela para Cidades. Lula disse em conversas reservadas conhecer o “gênio” das duas. Coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Dilma controlará decisões das Cidades, hoje ocupada por Márcio Fortes, técnico sustentado politicamente pelo PP.

Ela, porém, negou ter desejado outras pastas e imposto condições para aceitar o Turismo: “De minha parte, nunca houve nenhuma demanda”. “Deixa eu entrar (no ministério) gente, fazer o que eu tenho que fazer. Sou uma fazedora. O que estou querendo é entender da área, poder propor ações e continuar o trabalho que o governo está fazendo”, afirmou.

Sem ter assumido ainda a pasta - e sem o controle da Infraero -, Marta já traça planos para dar uma gestão mais “vistosa” ao ministério. A idéia dela é avançar em áreas que não são diretamente ligadas à pasta, mas que têm grande visibilidade, como emprego para jovens. “É tanta coisa ainda que esse Brasil lindo tem para mostrar ao mundo. Na Presidência do Lula, o Brasil teve um “upgrade’ como imagem de País, que facilita a expansão do turismo”, disse.