04 de junho de 2026
Regional

PCC usa coquetel de Viagra com cocaína para matar desafetos

Por Folhapress | Com Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Uma mistura de cocaína, Viagra e água pode ter causado a morte de dez detentos da Penitenciária de Iaras (140 quilômetros de Bauru), na região de Avaré. A maioria das mortes teria acontecido em 2005, quando o Primeiro Comando da Capital (PCC) reiniciou a matança de seus inimigos dentro do presídio.

Presos supostamente ligados à organização criminosa são suspeitos de desenvolver a fórmula para assassinar rivais nas prisões sem ser responsabilizados pelos crimes.

A “receita” que foi batizada de “Gatorade” era usada pelos criminosos que obrigavam o inimigo a ingerir à força a mistura que causa a morte em, no máximo, duas horas.

Apenas na Penitenciária de Iaras, um dos principais redutos do PCC, pelo menos dez presidiários morreram dessa maneira. Exames necroscópicos apontaram a mesma causa de morte: indeterminada. E, por falta de provas e ausência de indícios de homicídio, o Ministério Público, que atualmente investiga denúncias semelhantes em outras penitenciárias, pediu arquivamento dos casos.

A maioria das mortes aconteceu em 2005, quando o PCC reiniciou a matança de desafetos em guerra interna por poder. Agentes penitenciários desconfiam de que a fórmula letal foi criada no antigo Centro de Observações Criminológicas (COC), que funcionava no Carandiru.

Desconfiado das mortes, o então diretor do Centro de Segurança e Disciplina da Penitenciária de Iaras, Adenílson de Oliveira, enviou, em 8 de março de 2005, o relatório 1/2005 ao diretor técnico de departamento, Paulo César de Barros, informando que alguns presos tinham morrido aparentemente por overdose.

No documento, Oliveira diz suspeitar de homicídios e cita três casos. Cópia do ofício também foi encaminhada ao delegado-titular de Iaras, Fabiano Ribeiro Ferreira da Silva. Todos os inquéritos abertos pelo policial tinham natureza de morte suspeita.

Suspeita-se que mortes por overdose tenham acontecido também em outras penitenciárias do Estado.

No relatório do diretor do presídio anexado ao inquérito policial, ele diz que há alguns meses vinha acontecendo na unidade prisional mortes causadas por overdose, aparentemente. Ele desconfiava que essas mortes poderiam ser, na verdade, uma forma usada por presos mal intencionados para eliminar a vida de seus desafetos, sem levantar suspeitas.

O diretor explica em seu relatório, que, desde então, teria passado a tentar angariar provas e assim coibir a prática desses atos, acabando com a provável impunidade dos suspeitos sentenciados envolvidos em tais situações.

As suspeitas do diretor teriam sido confirmadas por sentenciados durante o atendimento individual, porém os presos não queriam seus nomes envolvidos na questão. Oliveira termina o relato pedindo providências no sentido de elucidar os fatos.

Em maio, o Núcleo de Inteligência V, da Coordenadoria dos Estabelecimentos Prisionais da Região Oeste (Croesp), enviou ofício à Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) com informações sobre as supostas mortes por overdose e cita a mistura, feita com cocaína Viagra e água. O serviço de inteligência também avisou o Ministério Público da região oeste.

Mortes suspeitas

Na lista dos presos mortos em 2005 na Penitenciária de Iaras constam; Luciano Alves de Souza, de 31 anos, morreu em 28 de fevereiro; Sérgio Luiz Fidelis, de 32, em 27 de abril; Carlos Luciano, de 36, em 16 de maio; João Alves de Lima, de 37, em 10 de outubro; Anderson Dantas Pungirum, de 31, em 15 de outubro; Rodrigo dos Santos Cruz, de 27, em 16 de novembro e Roberto Cipriano, de 37, em 17 de novembro. As sete certidões de óbito apontam causa da morte indeterminada.

Em nota, a Secretaria da Administração Penitenciária informou que não existe registro específico de mortes por overdose nas prisões do Estado. Segundo a SAP, em 2004 foram registradas 339 mortes naturais, 29 criminais e 35 suicídios. Em 2005, foram 358 mortes naturais, 50 criminais e 14 suicídios. No ano passado, ocorreram 337 mortes naturais, 35 criminais e 26 suicídios.

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“Receita Fatal”

O coquetel resultante da mistura cocaína, viagra e água requer atendimento imediato, caso contrário, a vítima corre grande risco de morte em conseqüência de overdose.

No entanto, o exame de rotina realizado pelos legistas para apurar a causa da morte não é 100% garantido para afirmar se determinada pessoa morreu de overdose.

Da Redacão