08 de julho de 2026
Internacional

Bush e Congresso rumam para o confronto

Folhapress
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Wahington - Subiu alguns graus nas últimas horas a temperatura do enfrentamento entre Executivo e Legislativo, um embate a que a capital norte-americana não assiste igual desde pelo menos o caso Watergate, nos anos 70.

Ontem, uma comissão da Câmara dos Representantes (deputados federais) aprovou a intimação de Karl Rove e de outros assessores do presidente George W. Bush para depor sobre a demissão de oito procuradores federais. Há a suspeita de que os procuradores tenham sido demitidos por motivos políticos.

Documentos e troca de e-mails já examinados pelo Congresso dão margem à interpretação de que, se os motivos foram mesmo políticos, Alberto Gonzales, secretário da Justiça de Bush, e Karl Rove, mais importante assessor político presidencial, tiveram um papel decisivo nelas.

A ação foi tomada claramente para desafiar a prerrogativa do Privilégio Executivo, instrumento pelo qual o presidente norte-americano pode se recusar a revelar algumas informações para o Congresso e para os tribunais, mesmo diante de uma intimação. Vem menos de 24 horas depois de o Senado ter restringido o direito do governo de nomear procuradores.

Xadrez

É mais um lance de xadrez entre um presidente enfraquecido politicamente pela condução da Guerra do Iraque e um Congresso dominado pela oposição democrata e de olho na sucessão presidencial de 2008.

“Se o presidente resolver questionar nos tribunais as intimações, o caso pode durar mais do que sua Presidência”, disse o analista legal Jeffrey Toobin. Um subcomitê da Comissão Judiciária aprovou medida que convoca Rove a testemunhar em público sobre seu papel nas demissões.