O Serviço Social da Indústria (Sesi) de Bauru, que ontem, Dia Mundial da Água, lançou a campanha “Água é Vida”, está colocando a teoria na prática: a instituição vai trocar as torneiras comuns de suas duas unidades na cidade por outras com fechamento automático e reguladores de pressão. Serão instalados redutores de consumo nos chuveiros, a água de chuva será canalizada e armazenada em cisternas para ser reaproveitada, os vazamentos passarão a ser monitorados e controlados e os vasos sanitários com válvula serão trocados por modelos com caixas acopladas.
Isso porque as válvulas convencionais desperdiçam mais água - o vaso sanitário é responsável pelo uso de 40% da água de uma casa ou escola. O pacote de medidas visa a mudança de comportamento das pessoas quanto ao uso da água através da ação participativa. “Queremos que as pessoas se conscientizem de que é preciso economizar água. Mas isso vai ser feito na prática, através da mudança de hábitos”, diz Teresa Cristina Aragão Mastrangelli, agente de utilidades sociais do Sesi de Bauru.
Um vaso sanitário com válvula e tempo de acionamento de seis segundos gasta de 10 a 14 litros de água por descarga, segundo dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). A partir de 2001, passaram a ser fabricados vasos sanitários que gastam seis litros de água a cada descarga.
Além das reformas estruturais, programas de informação sobre uso racional da água e preservação de mananciais vão ser organizados durante a campanha. “É importante que todos saibam como utilizar a água sem agredir a natureza. A água é um bem limitado e não nos pertence, apenas fizemos um empréstimo da natureza”, diz Mastrangelli.
A campanha “Água é Vida” tem duas fases: a primeira vai até dezembro e atinge 20 unidades do Sesi e cerca de 200 mil pessoas, direta e indiretamente, em todo o Estado de São Paulo. A partir daí, as outras 31 unidades do Sesi e empresas ligadas à instituição serão englobadas. “Água é Vida” é um projeto que não tem data para acabar, já que a conservação da água precisa ser permanente.
“Essa é a primeira de muitas campanhas que precisam ser feitas. Vamos, daqui para frente, viver de campanhas. Só assim poderemos conscientizar as pessoas e criar uma interação para que os problemas, como a preservação da água, sejam resolvidos. É questão de educar”, finaliza a diretora do Sesi em Bauru e região, Zuleika Lemos de Almeida Gonsalves.
A campanha tem apoio estadual da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), da Agência Nacional de Águas (ANA) e da ONG WWF Brasil. Em Bauru, os apoios são da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), do Departamento de Água e Esgoto (DAE), do Instituto Ambiental Vidágua, Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) e Centro Ambiental Rio Batalha (Pró-Batalha).
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Despoluição dos rios
Durante o lançamento da campanha “Água é Vida”, ontem no Sesi, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) apresentou um relatório recursos hídricos da Bacia Hidrográfica de Bauru. Os principais problemas são despejo de esgoto, acúmulo de lixo e falta de mata ciliar para a manutenção dos córregos que alimentam o rio Bauru.
Outro assunto abordado foi a instalação de interceptores para futuro tratamento de esgoto por parte do Departamento de Água e Esgoto de Bauru (DAE).
O rio Bauru, através de seus afluentes (córregos Água da Ressaca, Água do Sobrado, córrego da Grama, córrego Madureira, Água Comprida, córrego Barreirinho, córrego Vargem Limpa e ribeirão Vargem Limpa) recebe 93% de todo o esgoto da cidade. Os córregos Água da Forquilha e Água do Castelo já não recebem mais esgoto graças à instalação de interceptores.
Com a instalação gradativa dos interceptores, que canalizam esgoto para estação de tratamento – a primeira de Bauru, uma pequena, será construída no Núcleo Gasparini -, a expectativa é que em 2012 todos os córregos e ribeirões que cortam Bauru estejam totalmente despoluídos.