São Carlos - A imagem parece estranha: um gramado em cima da casa, no lugar em que deveriam estar as telhas. A construção inusitada no meio do câmpus da Universidade de São Paulo (USP) de São Carlos (162 quilômetros de Bauru) é resultado de um projeto que contribui para a onda de discussões sobre o aquecimento global.
Pesquisa desenvolvida pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da universidade sugere um meio alternativo na construção de casas, que permite equilibrar a temperatura interna dos imóveis e, de quebra, auxiliar no controle das enchentes nas cidades.
Durante um ano, engenheiros do departamento desenvolveram o “teto verde”, uma cobertura formada por grama trançada em uma manta impermeabilizada com resina ecológica feita de mamona. Trata-se de um verdadeiro jardim no lugar do telhado de cerâmica ou amianto, onde é possível plantar flores e até usá-lo como área de lazer.
O teto serve como regulador térmico: quando o tempo está quente, a manta verde ajuda a resfriar o interior da casa; quando a temperatura cai, o material aquece o ambiente. Em testes feitos em dias em que a temperatura era de 34 ºC do lado de fora, com o bloqueio natural da grama, a medição dentro da casa apontou 24 ºC. Já quando a temperatura caiu pela madrugada (12,7 ºC fora do protótipo), a casa manteve agradáveis 19 ºC.
Segundo os pesquisadores, o “teto verde” consegue absorver até 20% da água das chuvas, retardando o escoamento da água, idéia que poderia amenizar as enchentes. “Se você tivesse um grande grupo de casas com esse teto, o escoamento da água ia ser mais lento até o fundo do vale onde se formam as enchentes”, disse o professor Francisco Vecchia, coordenador do projeto.
Se aplicado em larga escala, diz Vecchia, o “teto verde” sai mais barato do que as coberturas tradicionais. O pesquisador diz ainda que o teto é sinônimo de economia. Se for empregado em prédios públicos, por exemplo, refresca o ambiente e evita o uso de ar-condicionado e de energia elétrica.