São Paulo - Com um olho na recuperação da imagem institucional das Polícias Civis e outro no resultado, uma megaoperação foi deflagrada ontem em 25 Estados e no Distrito Federal. Cerca de 30 mil delegados e investigadores foram às ruas atrás de ladrões, seqüestradores, falsários, homicidas, estupradores e outros criminosos.
Só em São Paulo foram cumpridos 1.395 mandados de busca e apreensão. Pelo menos 2 mil pessoas foram presas no País ontem, a imensa maioria pelos policiais paulistas - 1.894 detidos. “Essa ação não é para confrontar ninguém, nem a PF”, disse o delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Mário Jordão.
Foi a primeira operação do gênero na histórias das polícias estaduais no País. Foi também a maior ação policial já realizada no Brasil. “A idéia era articular as várias polícias, dar motivação e aproximá-las da população”, afirmou Jordão. Um dos idealizadores da ação, ele é o presidente do Conselho Nacional de Delegados Gerais de Polícia. Foi em sua eleição para o cargo, há 45 dias, que surgiu a idéia de unir em um mesmo dia ações de todas as Polícias Civis do País.
A ação da polícia não foi dirigida contra uma quadrilha específica, mas contra dezenas de grupos criminosos investigados pelas Polícias Civis. Em São Paulo, cada delegacia planejou sua operação para que todos participassem do esforço coordenado pela Delegacia Geral de Polícia Civil. No Rio, 54 pessoas foram presas e, no Espírito Santo, a polícia deteve 74 acusados. No Distrito Federal, 43 pessoas foram detidas. Minas Gerais, o único Estado a não participar da ação, informou que preferiu fazer em separado suas próprias ações contra o crime.
Presos são confinados
Sem vagas no sistema prisional, 35 presos na megaoperação da Polícia Civil ficaram detidos dentro de três microônibus no pátio da Divisão de Homicídios de Vitória (ES). Eles aguardavam a abertura das vagas para serem encaminhados a presídios do Estado. Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil, desde o início da operação na Grande Vitória, na segunda-feira, 74 pessoas foram presas.
De acordo com a polícia, o tempo máximo de permanência dos detentos nos microônibus foi de 36 horas. A Polícia Civil disse que foram cumpridos 58 mandados de prisão. Seis armas e um carro roubado foram apreendidos. Participaram da operação 87 policiais civis.
A Secretaria da Justiça do Espírito Santo, órgão responsável pela administração penitenciária do Estado, disse que os presos que estavam aguardando nos microônibus começaram a ser transferidos para os presídios por volta das 18h.
Paraná e RS
Na operação da Polícia Civil, principalmente na região metropolitana de Curitiba, realizada ontem, foram presas 29 pessoas. Os policiais comemoraram a prisão de Dirceu Jacobi, 29 anos, acusado de homicídio, tortura e cárcere privado de sua companheira, 20 anos, por nove meses. A moça foi encontrada no dia 16 em uma casa de Colombo, na região metropolitana de Curitiba, bastante debilitada, pesando apenas 35 quilos, com ferimentos pelo corpo.
Jacobi tinha prisão preventiva decretada desde fevereiro do ano passado, pela morte de Aline Emanuele dos Santos, 21 anos, irmã de sua companheira. Ele estava em uma casa no Jardim Nodari, na periferia de Rio Branco do Sul, e não ofereceu nenhuma resistência.
No Rio Grande do Sul, a operação prendeu 63 pessoas nesta semana. Também foram recuperados 20 veículos roubados e apreendidos 4,5 mil CDs e DVDs piratas e 21 armas. O balanço parcial foi divulgado no início da noite de anteontem, em Porto Alegre, e computa o resultado de apenas 15 das 29 delegacias regionais.
Brasília
Na Capital do País, foram presas 43 pessoas condenadas por homicídios que se encontravam foragidas. A operação mobilizou 246 policiais e abrangeu todas as cidades satélites, onde vivem mais de 2 milhões de habitantes. O mapa da violência coloca Brasília entre as mais altas taxas de homicídios do País. Muitos dos assassinos fugiram para outros Estados.
O Conselho vai distribuir cópias dos mandados e fichas dos fugitivos para as demais unidades da Federação ajudarem na captura. Os próximos alvos serão os crimes de estupro e assalto, que estão entre os que mais crescem em Brasília.
Mato Grosso
Ao menos 130 pessoas foram presas em Mato Grosso acusadas de homicídios, furtos, porte ilegal de armas e tráfico de drogas. Na operação, que provocou superlotação nos Presídios do Carumbé e Pascoal Ramos, em Cuiabá, também foram apreendidas 12 armas. Mato Grosso tem um déficit de 3.300 vagas no sistema penitenciário.
Na avaliação do secretário de Justiça e Segurança Pública, Carlos Brito, a operação superou as expectativas. “As polícias de Mato Grosso estão fazendo o seu trabalho”, salientou Brito. “E essa operação superou as expectativas”, disse ele. Cerca de 150 investigadores e policiais militares, além de 25 delegados, participaram da ação realizada no Estado.
Bahia
Uma carreata com cerca de 60 veículos da Polícia Civil baiana marcou, com muito barulho de sirenes - e causando congestionamentos em Salvador (BA) - o fim da participação dos agentes do Estado na 1.ª Operação Nacional das Polícias Civis, no início da tarde de ontem.
Ao todo, segundo a Polícia Civil, participaram das ações de combate ao crime 130 delegados e mais de 1.000 agentes ao longo de quatro dias - entre 19 e 22 de março. Na Bahia, a operação ficou restrita à Capital.
O resultado: 24 prisões em cumprimento a mandados de prisão em aberto (na maioria dos casos, por envolvimento em assassinatos e em assaltos e furtos), 48 detenções em flagrante e apreensão de 16 adolescentes infratores, também em flagrante. Além disso, os policiais apreenderam 24 armas, oito quilos de maconha, um quilo de crack e 500 gramas de cocaína, além de 11 veículos ilegais.
Para o delegado-chefe da Polícia Civil na Bahia, João Laranjeira, a operação foi um sucesso, não só pelas prisões e apreensões, mas pela prevenção. Comparando-se os crimes ocorridos em Salvador na semana em que ocorreu a operação com os que foram cometidos na semana anterior, Laranjeira mostra que houve 62% menos homicídios, 28% menos roubos de veículos e 30% menos roubos a pedestres.
Minas Gerais
A Secretaria de Defesa Social de Minas (Seds) informou ontem que a Polícia Civil do Estado mantém um cronograma e calendário próprio de operações. Segundo a Seds, operações policiais foram intensificadas esta semana e estavam sendo comunicadas ao Conselho Nacional de Chefes de Polícia Civil. A Secretaria, porém, não divulgou nenhuma operação vinculada à ação nacional.