09 de julho de 2026
Internacional

Bloco europeu festeja 50 anos de burocracia e paz

Por João Batista Natali | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Paris - O século 20 foi bastante cruel com a Europa. A Primeira Guerra Mundial (1914-1919) fez 8,5 milhões de mortos. A Segunda Guerra (1939-1945), no mínimo 35 milhões. Povoaram-se de modo sangrento os cemitérios do continente. Mudando de assunto, mas nem tanto. Segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), os países-membros da União Européia exportavam, há dois anos, em torno de US$ 2,5 trilhões.

Só um terço dessa quantia foi vendida para terceiros. Quanto às importações, 66,1% (US$ 2,9 trilhões) foram comercializados com os parceiros do próprio bloco. Não se trata apenas de comércio externo. É sobretudo interdependência econômica e política.

Os empresários alemães rejeitariam hoje qualquer nacionalismo que levasse o país a bombardear a Polônia ou a França. São seus clientes, seus fornecedores de peças ou de matéria-prima. Um sindicato espanhol não permitiria que disputas bélicas levassem ao desemprego, com o corte no fornecimento de componentes da Áustria ou da Grécia. Pois é justamente esse o “desenho” da União Européia.

Seus 27 Estados membros estão de tal modo interligados que seria inconcebível entre eles uma nova guerra. É esse o balanço dos 50 anos de integração continental. A Comunidade Econômica Européia (CEE), nascida com o Tratado de Roma há 50 anos, não foi o início de uma história comercial. É uma história de paz, que amansou os nacionalismos e evitou conflitos regionais.

A idéia já estava explícita no embrião desse processo, quando em 1950 o ministro do Exterior francês, Robert Schuman, propôs à Alemanha a instituição de uma comunidade do carvão e do aço. Passaria ao controle de uma autoridade supranacional uma grande fonte energética e a matéria-prima para material bélico. Quatro outros países embarcaram em 1951 nesse projeto. O bloco europeu cresceu e virou rotina. A lembrança das guerras se distanciou. Os 50 anos do Tratado de Roma não serão pretexto para uma grande festa de Portugal à Bulgária. Os seis integrantes iniciais passaram hoje para 27. Os contribuintes dos países mais ricos não querem mais financiar investimentos nos países mais pobres.