09 de julho de 2026
Articulistas

O País dos heróis


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Este é o país dos heróis de ficção. Depois descobrir o Ponto G, o presidente Lula condecora todos os usineiros e ministros como “heróis nacionais”. Fernando Collor se declara vítima de uma armação para cassá-lo, valendo-se da sua absolvição em todos os processos, pelo Supremo Tribunal Federal. Ele, que bloqueou a poupança de milhões de brasileiros, deixou de corrigi-la de acordo com a regra e foi apeado do poder sob escândalos e uma inflação de 457%. Quem é a vítima? No Senado, somente Pedro Simon o contestou. Se Robespierre fosse vivo diria que, “se o rei (Luiz XVI) era inocente, todos os que o acusaram são culpados de calúnia”. Agora o IBGE modifica a metodologia de levantamento do PIB (Produto Interno Bruto) e coloca o Brasil entre os dez países mais ricos do mundo, embora nos últimos 12 anos nosso crescimento não tenha ultrapassado a pífios 3% ao ano. Ridícula performance, na comparação com todos os emergentes.

E não pára por aí – essa não-ficcional - tragédia de uma Nação. “Na calada”, como se diz lá em Minas, sem alardes, de manhãzinha, a Comissão de Finanças da Câmara aprovou o reajuste de 26,5% nos salários dos deputados, senadores, ministros, do vice e do presidente da República. Os subsídios passam de R$ 12.847 para R$ 16.250. Mas, ainda não é tudo. Os deputados decidiram que parte da verba indenizatória a que têm direito para gastos com despesas pessoais poderá ser embolsada sem a apresentação de notas fiscais. Atualmente, os parlamentares recebem R$ 15 mil, liberados mediante comprovação das despesas.

O mais grave ainda está por vir. É o efeito cascata. Com a aprovação do aumento dos parlamentares federais, os estaduais têm reajustes automáticos. O aumento dos ganhos desses políticos faz inveja ao trabalhador comum que, de 1995 para cá, perdeu 25% do poder aquisitivo do salário. Os deputados receberam 225% a mais, no mesmo período, contra uma inflação de 91%. O reajuste retira, literalmente, a moral do Legislativo, responsável pela elaboração das leis que regem o país e os estados. Não existe verba orçamentária, o que obrigará o Congresso a suplicar suplementações ao presidente Lula, nosso torneiro-mecânico mais bem pago. Sem direito, portanto, de reclamar dos R$ 8 mil por mês que a nação lhe paga para ser presidente - segundo declarou. Esqueceu-se da casa, comida, bebida, roupa lavada, guarda-roupa completo, carro com motorista, avião livre de apagão e cartões de crédito sem limites para a família, em conta secreta. Torno? Se existiu na sua vida foi há 40 anos. Durante esse tempo nunca precisou sujar as mãos de graxa. Goza de uma aposentadoria privilegiada e precoce do INSS, de cerca de R$ 4 mil, direito conquistado por ter passado um mês na cadeia da ditadura.

Os heróis usineiros da cana-de-açúcar, certamente serão aqueles que os bóias-frias esperam cair do céu para salvá-los do trabalho insano. O Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça já reconheceram aos heróis-usineiros, direito a uma indenização de 50 bilhões de reais, para ressarcimento de supostos prejuízos decorrentes do tabelamento do açúcar e do álcool, na década de 1980.

O “impostômetro” da Associação Comercial de São Paulo, nesta sexta-feira indicava que o Governo atingira os 200 bilhões de reais arrecadados dos contribuintes. No ano passado essa marca foi alcançada cinco dias mais tarde. Em 12 anos a arrecadação de impostos cresceu 140%, enquanto a economia não cresceu mais do que 36%. Esse é o dinheiro que financia a farra dos podres Poderes, neste país de heróis de fancaria.

O autor, Zarcillo Barbosa, é jornalista e colaborador do JC