09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Tribuna do Leitor - 25/03/2007


| Tempo de leitura: 22 min

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Os web designers acreditam que a Internet é a solução do futuro. Os empresários que os contratam acreditam estar investindo em modernidade. E estão mesmo! Ambos se emocionam com telenovelas, choram no cinema e dão gargalhadas no teatro porque se envolvem com tudo aquilo. Mas ainda não acreditam que seu próprio produto possa chegar tão longe ou, do contrário, respeitariam mais o ícone “contato e fale conosco” para responder todas as dúvidas de clientes e interessados, como já fazem as grandes empresas deste País. Em negócios, ninguém é tão grande que não possa ser tocado, nem tão pequeno que não mereça atenção. Ou será que entre o criador do sítio e o investidor existe um funcionário (deus) que ama “entupir” todo o processo?

Plínio Lopes Júnior - contador - RG 10.485.312

CADERNO DA ÁGUA

Quero aqui parabenizar o Jornal da Cidade pela sensacional caderno sobre o Dia da Água. Recentemente a, quando faltou água no Núcleo Meire Dota e outros bairros próximos, a população ficou nervosa em razão da falta do líquido. Se cada um soubesse a falta que esse líquido precioso faz, que a maioria das pessoas não dão valor, seria diferente. Ainda muita gente usa a água de maneira irracional. Nesta última quinta- feira, quando sai de casa para ir ao trabalho, estava garoando e tive a infeliz visão de certas pessoas lavando calçadas, mesmo chovendo, a própria chuva já estava lavando a calçada, sem contar que, como se não bastasse, ainda lavavam o asfalto, sendo que estava chovendo, isso com certeza não dá para aceitar. Deveria haver um tipo de fiscalização sobre isso. Como pode o ser humano ser tão irresponsável, sendo que todos os dias se vê notícias falando que o precioso líquido um dia vai faltar.

Mas aqui em Bauru o maioria das pessoas não está nem aí. Vamos viver o hoje, amanhã não interessa... Gostaria que o Vidágua ou orgãos ambientais olhasse mais para isso, que não deixassem a maioria da população assassinar o precioso líquido. Com sinceridade, é pura falta de consciência, porque se esperarmos por parte de prefeitura... Aliás, basta dar uma olhada para a cidade, não precisa dizer mais nada. Se o próprio Centro está ruim em termos de asfalto, imagina o resto. Outro absurdo: o DAE vai e faz um enorme buraco e lá fica semanas, mas os carros de Bauru são rolos compressores. Eles, com certeza, vão nivelar a terra deixada lá, mas vamos esperar que a maioria do povo de Bauru tome consciência sobre o uso racional da água.

Paulo César Simões

Através dos estudos

Nesta coluna, o senhor José Morales pediu para publicar um comentário a respeito das declarações de Sua Santidade o Papa. Sinceramente, pelo número do RG, esse senhor deve ter idade suficiente para saber que nem sempre o fato de ser ou não ser alguma coisa é que determina o conhecimento a respeito de determinados fatos na vida das pessoas. Nem todos os juízes de direito são casados e mesmo não o sendo julgam os processos relacionadas ao casamento com base nos estudos e nas leis existentes e vigentes. As pessoas estudadas, mesmo não tendo a prática de determinadas coisas, através da teoria podem muito bem tecer comentários e dar opiniões dessas e de outras coisas. O senhor pergunta: “Quem é o Papa para falar em casamento, se não passou pela experiência?” Caro senhor, quem somos nós para questionar a maior autoridade religiosa da Igreja Católica?

José Ramos

228 mil Tobias

Diante uma realidade faltosa de líderes, de pessoas que dão suas vidas pelo bem comum, adoece o grande líder Pedro Tobias. Representando 228 mil eleitores, ou seja, uma região com mais de um milhão de habitantes, com certeza essa grande massa regional se pergunta: o que aconteceu? Eu que serei perseguido pelos que tem sangue nos olhos, responde. O dr. Pedro Tobias está pagando pela lealdade e fidelidade ao estadista Geraldo Alckmin, ou seja, pagando por tanto ter ajudado nossa região. Tudo se deu porque o segundo homem mais votado do Estado, e o primeiro do PSDB, estava sendo indicado a líder do partido. Porém, um representante do governador José Serra na Assembléia, em um ato nunca visto na real democracia, expôs a vontade governamental, qual seja, vamos extinguir os Alckmistas.

Quase conseguiu, não fosse a vontade do grande Deus que determina a missão de cada um. O “grande crime” do representante regional foi se mostrar fiel àquele que ajudou seu povo. Tivemos para a região, no comando de Geraldo Alckmin, o Hospital Estadual, o Instituto de Câncer de Mama, Asfaltamento do Fortunato Rocha Lima, Parque Jaraguá, duplicação da Bauru-Marília, milhares de casas da CDHU, dentre outras obras.

Em minha mais singela visão, isso foi um atentado ao Interior paulista. Com certeza saberemos sopesar o que aconteceu e dar a devida resposta no tempo certo. Para quem acredita, reza, para quem não acredita, força e para toda a região a cobrança aos culpados pelo atentado ao representante da região de Bauru.

Luiz Eduardo Penteado Borgo

AÇÃO SOCIAL?

Yessss, nós temos placa!

No caminho de casa, quando cair em um dos vários buracos existentes, poderei dizer com orgulho que "caí em um buraco da rua Thomazia Inês da Conceição".

Finalmente a prefeitura de Bauru, através do nosso excelentíssimo prefeito, sr. Tuga, resolveu o problema. Não, não tapou-os! Mas colocou uma placa de identificação com o nome da rua, ou seja, agora quem passar por lá e cair em um destes buracos, saberá que caiu em um buraco da rua Thomazia Inês da Conceição. Agora, sim! Já não são mais buracos anônimos. Não são “qualquer um”. Estão se sentindo privilegiados com relação aos outros que ainda não foram identificados. Mas como moro em uma esquina, a rua que cruza a Thomazia ainda não teve a mesma sorte, pois ainda não recebeu a sua tão sonhada placa. Reconheço o “enorme esforço de nossa prefeitura” e acredito que já estejam preparando a colocação da placa, mas os pobres buracos da rua Triagem estão se sentindo muito tristes, abandonados, esquecidos por ainda não terem sido “registrados”.

Oh, sr.prefeito, por favor, seja mais humano!!! Pense nos buracos da rua Triagem!

Coloque uma placa para que estes não se sintam excluídos e que também possam se sentir orgulhosos ao “receberem” os carros e dizer: “opa, esta roda quem quebrou foi eu!”.

Aliás, aí vai uma sugestão: para cuidar destes problemas de identificação das ruas/buracos a prefeitura de Bauru poderia trocar a secretaria de Obras pela de Assistência Social.

Udson César Contiero Alvares - RG 14.535.990

Abertura dos bingos

Prezado senhor Rinaldo.

Pena que o senhor não tenha feito como eu que me apresentei como engenheira e proprietária do Bingo Sem Limites, pois se soubesse qual é a sua profissão teria facilidade para compreender sua posição. Mas, a princípio, julgo que o senhor não deve ser um profissional da empresa privada e/ou autônomo, devido à visão quase inocente sobre como é que nós, profissionais liberais, lutamos neste “país complexo”. Bonito adjetivo o senhor arranjou!

É neste “país complexo” onde temos fraudes no sistema de jogo da Loteria Federal; onde o governo angariou votos através da distribuição de esmolas; onde o filho do líder da Nação tem uma estatal como associada em seus negócios; onde o professor não é valorizado para que a ignorância seja mantida; onde ONG’s desnecessárias empregam famílias inteiras de políticos; onde o Estado e os municípios - de uma forma impiedosa - descobriram a indústria da multa de trânsito e se apropriam de nosso dinheiro dizendo que estão nos educando; onde o crime do colarinho branco é lamentavelmente esquecido e o ladrãozinho barato é trancafiado em uma escola que o torna profissional na arte do crime; onde meninas se tornam prostitutas aos 13 anos de idade; onde garotinhos são arrastados pelas ruas até a morte; onde a maioria dos políticos mantém uma conta em bancos estrangeiros para envio do roubo e das barganhas ocasionais; onde o crime organizado manda e desmanda; onde a fiscalização muito bem paga não fiscaliza e, portanto, a contratação de engenheiros como eu não é necessária (situações estas que nos são mostradas diuturnamente pelos veículos de comunicação: TV, jornal, revista, rádio), é esse o “país complexo” que, de acordo com o senhor, merece de minha parte, o sacrifício de deixar meu trabalho?

Então vamos ditatorialmente nos impor o fechamento de estabelecimentos e empresas que achamos que tiram o dinheiro do povo, ou seja, bingos, bares, casas noturnas, casas lotéricas, igrejas, etc, com o intuito de garantir nosso cantinho no céu.

Então, senhor Rinaldo, preste mais atenção nas suas considerações e vire o cano de sua espingarda para um alvo mais consistente, que traga algum benefício à sociedade como, por exemplo, verificar como vão os processos contra a Emdurb, como estão sendo utilizadas as tão famosas merendas escolares, enfim, não perca seu tempo desejando fechar estabelecimentos que geram trabalho, pagam impostos e dão emprego.

O Bingo Sem Limites abriga 100 funcionários. Vamos fazer algumas considerações: se multiplicarmos esse número por 5, implica que esse bingo alimenta 500 bocas diretamente, sem contarmos com os que indiretamente ganham por trabalhar ali por perto devido ao movimento que o bingo promove na rua em que está, no bairro e também nos comércios vizinhos.

O Bingo Sem Limites poderá trazer movimento para a cidade, ajudando o esporte a crescer, dando emprego e dignidade para os funcionários, proporcionando entretenimento para as pessoas, esperança de ganho, enfim, uma gama de benefícios, se explorado de uma forma saudável pelos seus usuários.

Tenho certeza de que se os impostos pagos pelos bingos fossem bem utilizados, sua rua estaria totalmente asfaltada e eu poderia ter fiscalizado essa obra! Espero reabrir o Bingo Sem Limites em breve e gostaria de convidá-lo a ir nos visitar. Gostaria de lhe dizer e mostrar muitas coisas que fazemos para o bem comum como auxílio a entidades esportivas, e a entidades carentes. Conheço, aqui em Bauru, dono de bingo que é presidente de uma entidade para crianças especiais! Muito obrigada ao jornal e ao senhor Rinaldo Ricci pela oportunidade de réplica.

Raquel Felício Milazzotto

Encontro nacional

O Encontro Nacional da Conlutas definirá luta contra ataques de Lula. Neste dia 25 de março ocorrerá em São Paulo o Encontro Nacional da Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas). O evento, que contará com a participação de diversas entidades sindicais, do movimento social e estudantes, debaterá estratégias de luta para este ano contra os ataque que estão em curso pelo governo Lula. A principal bandeira de luta, e que será o centro dos debates, é a mobilização dos trabalhadores em nível nacional contra a reforma da previdência, que deverá vir acompanhada da luta contra as reformas universitária e tributária em curso, além das reformas sindical e trabalhista.

Também lutas importantes deverão ter seus calendários definidos, como a anulação do leilão da Vale do Rio Doce, contra a privatização da Petrobras, contra as vendas de ações do BB e da CEF, por emprego, redução da jornada de trabalho, reforma agrária, aumento do salário mínimo e das aposentadorias, etc. Com tantos assuntos importantes em pauta e diante do ataque enorme que está sendo preparado pelo governo Lula (PT), os trabalhadores devem se preparar para a mobilização e lutar contra estas investidas. A participação dos trabalhadores e estudantes neste encontro é fundamental! O encontro acontecerá hoje, às 9h, no Ginásio Mauro Pinheiro - Paraíso (SP).

Conlutas Regional Bauru - Sinserm, Sintunesp, Sindsef, Sindicato Bancários/Bauru, Juventude PSTU, Oposição Sindicato Servidores de Araçatuba, Diretório Acadêmico de Presidente Prudente, Diretório Acadêmico de Marília

De vinho e de amor

Jeff Previero, mestre bauruense em vinhos, que me perdoe se blasfemo em comparar vinho com amor. Esta analogia surgiu-me ao ler um pensamento de Henri Elwing, citado por Sérgio de Paula Santos (em seu livro “Vinhos, a Mesa e o Copo”), que posso condensar assim:

“É preciso saber que o vinho tem (............) uma idade madura mais ou menos longa onde é bom ser bebido e uma velhice mais ou menos feliz, onde é imperativo que se o beba, antes que ele morra”.

Tudo a ver com amor. Na verdade, a idade só vai amadurecendo a partir do que se faz com o amor, de como se vivencia o amor. Amor que dura ou não, com pessoa certa ou errada, até confundido com paixão fugaz, que tem prazo de validade curto ou longo, que nunca tem qualquer garantia, mas que ainda assim ajuda a amadurecer por cima das cicatrizes. A idade madura, neste caso, “é mais ou menos longa”, como a do vinho. Se não houver amor, para aprender com ele a viver de verdade, torna-se maturidade sem cor e sem brilho, como garrafas de vinho cobertas de poeira, apesar do conteúdo precioso.

Então vem a “velhice mais ou menos feliz”, tanto no vinho como na vida, onde a idade nem precisa ter importância, desde que mais feliz do que menos, dependendo da disponibilidade para o amor que se consegue ter, da coragem para amar que se decide exercer, da felicidade no amor que se ousa usufruir, apesar do tempo.

Imperativo, portanto, o amor antes que morra, não a pessoa, mas a sua capacidade de amar, coisa que tanta gente vai perdendo pela vida. Como um bom vinho que morre, desperdiçado ao longo do tempo, esquecido numa prateleira.

Vânia Figueiredo - Academia Bauruense de Letras

É PRECISO INOVAR E RENOVAR

Já que o nobre vereador João Parreira anda preocupado com o “quanto precisa ser feito” em nossa cidade, sugiro que a câmara de vereadores ajude a prefeitura a punir, dentro da lei, é claro, e cobrar os grandes devedores de Bauru, entre eles os devedores de IPTU e ISS. Se a solução para os problemas de nossa cidade se dará somente através da venda de lotes ocupados por entidade de prestígio histórico como o Aeroclube, sugiro então que seja incluído no processo de venda as áreas ocupadas pelo prédio da Câmara e o da prefeitura, que ultimamente não tem tido tanto prestígio quanto o primeiro.

Por estarem em locais valorizados, acredito que trarão para a cidade um valor substancial. Poderíamos, dessa forma, instalar essas entidades em bairros mais necessitados, “principalmente na área de infra-estrutura”, como por exemplo o Ferradura Mirim. Facilitando assim a vida dos nossos dirigentes, já que não precisariam ficar passeando pela cidade para constatar o que ela precisa, bastaria apenas ter a coragem de olhar pela janela.

Ah, você deve estar se perguntando sobre o significado do título. É simples! Só haverá avanço quando houver inovação e renovação. Concorda comigo, Parreira?

Danilo Carlos Avante - RG 29.911.357-7

Bem-vinda a estação de Outono

As estações do ano universalmente estão delimitadas num espaço de quatro meses para cada uma delas. Findo o período quadrienal a estação do ocaso cede lugar à entrada de outra numa interminável continuidade de revezamento. E assim elas caminham compassadas com o calendário. Ultimamente, a mudança de estação tendo a condição climática por referência, é quase despercebida em face da alteração ocorrida no clima mundial, notadamente nos países tropicais, como é o nosso em que o clima quente do verão predomina. Embora as estações se mudem sem que muitas pessoas notem a diferença entre aquela que se foi e a outra que chegou, de minha parte, permaneço todos os anos aguardando com ansiedade a chegada da estação de outono. O dia 20 de março assinalou a data de seu início neste ano. Quando o ciclo de sua passagem terminar, isto no dia 21 de junho próximo, a estação de inverno foi cuidadosamente preparada pelo outono, responsável pela tarefa de prepará-lo para ser o período mais frio de todo ano. Por que é assim? Essa indagação pode ser explicada com respostas simples, concluídas por qualquer pessoa que tenha no mínimo algum interesse pela metamorfose da natureza e o sublime encantamento que a sua transformação nos contagia.

Outono tem por característica espalhar pelos ares no entardecer, uma brisa de clima suavemente agradável. Quem por disposição cotidiana faz caminhadas no momento em que a aproximação da noite empurra o sol para o outro lado do mundo, mesmo aquele que não cultua esse saudável exercício, mas é atento às modificações do tempo, na calçada ou no quintal de sua casa, até mesmo no seu interior, sente a pele tocada pelo meigo friozinho de outono. Não é raro certas noites difundirem temperaturas mais baixas, obrigando os friorentos de servirem-se do cobertor ao adormecerem no rotineiro descanso noturno, obrigatório para revigorar energias que serão consumidas com o reinício das atividades do dia seguinte.

Outono apresenta outras peculiaridades grafadas com sua presença. As árvores perdem suas folhas, expondo-se desnudadas durante toda a estação. É o strip-tease necessário para deixar livre a passagem dos ventos mais frios da estação subseqüente, o inverno. Ao mesmo tempo, as árvores oferecem mostras de que sua vestimenta irá mudar ao despejarem de seus galhos as folhas mortas no interminável ritual de cederem seus antigos lugares às novas folhas, surgidas verdejantes e revitalizadas como o vigor da planta na sua juventude.

Tem mais, as noites descortinam o céu limpo, quase sempre livres da moldura das nuvens. O céu se veste da cor azul. Azul de brigadeiro, como dizem os aviadores diante da melhor condição de visibilidade para voar. Azul da tonalidade azul-céu, da mesma cor batizada pelos fabricantes de tintas látex. Azul límpido, igual aquele visto do infinito pelo astronauta que pela primeira vez subiu ao espaço e, deslumbrado com a imagem do planeta Terra embaixo de si, representando uma imensa bola solitária, dentro de um cenário soturno e silencioso, disse para o mundo escutar com a voz embargada de emoção causada pelo inédito panorama: “A Terra é azul”. O azul é a cor convencionada nos preparativos do nascimento do menino, assim como a cor-de-rosa simboliza a cor da menina. O azul está no céu inteiro, mas sem o privilégio de lhe pertencer com exclusividade.

O azul está nos mares, nos rios, nas ruas, estampado no colorido dos veículos, nas vestes do homem e da mulher. O meu segundo automóvel novo, retirado da agência, foi um Ford Corcel. Antes de adquiri-lo estava em dúvida qual seria a cor de meu agrado dentre apenas duas disponíveis pela agência Então perguntei a alguém sem me referir ao veículo: qual sua cor predileta, branco ou azul? Azul, foi a resposta que ouvi. Então comprei o Corcel azul. O azul foi muitas vezes homenageado. Houve um músico francês regente de uma orquestra de espetáculos, chamado Paul Mauriat, recentemente falecido em seu país, que compôs uma canção, a qual deu o nome de “O amor é azul”. Essa música integra as melodias populares mais tradicionais da França. Pela força de sua sonoridade e por ser uma canção instrumental, é bastante tocada na abertura de grandes eventos que por lá se realizam.

Para o apreciador do imortal fascínio oferecido pela natureza, o outono presenteia gratuitamente com um grande espetáculo, observado no céu azul, no limiar de todas as noites límpidas. Ao anoitecer, no rumo do poente, aparece a meia altura, o majestoso planeta Vênus brilhando intensamente com a pretensão de ser confundido com uma estrela gigante, descomunal, a maior de todas. Esse planeta que surge destacado no outono e parte do inverno, também é popularmente conhecido como estrela Vésper e estrela Dalva. Seu brilho é intenso e provocativo. Quem o vê resplandecendo no infinito jamais o esquecerá, será o seu eterno admirador.

Na medida em que a noite chega, ele desce do céu em direção a terra na linha de seu horizonte e reaparece do lado oposto na madrugada do dia seguinte com a mesma altivez e pompa perante todas as estrelas do céu. É um imperador imponente e belo. Ofusca com sua rara beleza as incontáveis estrelas que no céu formam um reinado de súditas subjugadas pelo resplendor do soberano Vênus. As pessoas mais antigas denominavam o planeta Vênus de estrela Dalva ao verem-no imponente dominando o céu na madrugada. As boas vindas a estação do outono.

Alfredo Enéias Gonçalves d’Abril - RG 4.153.294

Dr. Dirceu Gomes de Mattos

Infelizmente, no dia 17 de fevereiro tomei conhecimento, através deste jornal, da morte do dr. Dirceu, eterno superintendente da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Além da morte da “Paulista”, morre também grande parte da sua história, mas fica a saudade no coração de quem tem teve o prazer de ter sido ferroviário no tempo em que ele era a presença altiva, aparentemente austera atrás daqueles óculos escuros, mas muito elegante e justo em todas as suas atitudes e comportamentos, era o profissional que parecia ter nascido para ocupar aquela posição.

Em 1972 pedi demissão da Estrada de Ferro e me dediquei a outro ramo de atividades, mas me lembro com saudades dos tempos em que era um prazer ser um ferroviário tanto quanto ser um professor e hoje ambas as profissões vivem de saudades. A ferrovia acabou, o dr. Dirceu nos deixou e o professor está aí com salários baixos e muito esquecido pelo governo.

Sou do tempo em que o Trem de Inspeção passava por todas as estações visitando-as e ainda vejo o dr. Dirceu e a sua comitiva andando pela estação de Duartina onde eu trabalhava na época, todos os metais brilhavam, tudo era muito limpo e não era pela inspeção, tudo aquilo estava sempre em ordem sob a batuta de Húdson Moreira de Carvalho, nosso chefe e amigo que também é um exemplo de homem e ferroviário, sempre elegantemente vestido.

Quando ferroviário nunca falei com o dr. Dirceu, nunca foi necessário e nunca surgiu oportunidade, mas não posso deixar de contar um caso interessante que aconteceu comigo, que demonstra quem foi o dr. Dirceu.

Em uma certa noite, em companhia de minha esposa, fomos na casa de seu primo Zezôzo, que alguns meses atrás foi morar no céu também, era seu aniversário e o dr. Dirceu estava lá pois era seu amigo e fazia parte da turma do Café Bauru em todas as manhãs. Depois de comentar com minha esposa que aquele era o dr. Dirceu não tive dúvida e fui falar com ele, para meu espanto ele me chamou pelo nome e eu surpreso perguntei: - Como é que sabe meu nome? Se quando ferroviário nunca falamos e, me desculpe senhor, tínhamos até um certo medo de sua presença. E ele respondeu: - Os senhores não tinham medo e sim muito respeito, Zapater, eram outros tempos. Tempos em que o ferroviário respeitava seu superior e os alunos respeitavam o seu professor, que saudade...

Zezôzo e Dirceu, que tenham o descanso eterno. Amém.

Manoel Zapater Rios - RG 6.688.440

Orgulho?

Dias atrás uma colega de trabalho se disse orgulhosa por ser servidora pública; um cargo conseguido através de concurso etc... Eu entendo bem o que ela sente, estou há quase vinte anos no serviço público, mas no momento acabei fazendo uma brincadeira..., uma analogia entre o orgulho e o “saco” que é agüentar chefes e diretores que mudam de 4 em 4 anos por causa da política. Brincadeiras à parte, não é nem orgulho o que sinto, mas sim uma honra em estar trabalhando no setor de fiscalização do DAE, o Departamento de Água e Esgoto, que é responsável pela capitação, trato, cuidado e distribuição do mais importante líquido que existe: a água!

Além disso, também cuida da “parte suja” que é a instalação e manutenção da rede de esgoto de toda cidade. É um trabalho importantíssimo, onde todos os funcionários são fundamentais e cuja importância não é bem reconhecida por boa parte da população. Muitas vezes xingado e destratado, o fiscal do DAE tem no seu trabalho, ficar atento às circunstâncias do funcionamento da distribuição e o bom uso da água, além das condições de funcionamento da rede de esgoto de toda a Bauru. Apesar da desinformação de alguns contribuintes usuários e também da nociva interferência de políticos, é sim uma honra ser funcionário do Departamento de Água e Esgoto de Bauru!

Obs. - O JC ainda é o melhor do nosso mundo!

Aureo Cagliostro - RG 8.098.982

O amor salva vidas

Li aqui nesta Tribuna, em 15/3, a edificante “História real de dois músicos”, contada pela leitora Leny Maria de Castro. Diante do inusitado momento de insegurança que vivemos, resolvi falar da “história real de dois policiais militares”. Tempos atrás, voltando de um cansativo dia de viagem, cheguei diante do portão de casa por volta das 22 horas. Ao sair do carro para abrir o portão da garagem, constatei que quatro indivíduos estavam acampados debaixo do pé de canelinha existente no passeio. Após fechar o portão, liguei para o “190”. Afinal de contas, a polícia faz muita propaganda da tal polícia comunitária.

Uma vez atendido, dei nome, RG, endereço e comuniquei sobre o pessoal acampado no meu portão. Aí veio a pergunta: “Eles estão fazendo alguma coisa errada?” Respondi que eu não tinha poder de polícia para identificar os indivíduos e saber se o que faziam era certo ou errado. Então o homem da PM arrematou: “A rua é pública!” E eu passei a noite em claro.

No último dia 14 do corrente, a jovem adolescente Priscila (baleada nas costas ao passar na porta de um banco em São Paulo), foi levada para sua primeira sessão de fisioterapia. A imprensa esperava no hospital e Priscila atendeu a todos sorrindo. Quando perguntaram sobre os momentos de angústia que viveu até chegar ao hospital, ela respondeu achar que morreria ali na calçada. Aí chegou uma viatura da Polícia Militar. Quando o policial Emerson soube que a jovem estava ali há cerca de 10 minutos, disse aos seus pares: “Vamos levá-la ao hospital” (a hemorragia continuada traz sede, frio e sonolência, antes da morte). No caminho, Emerson falava com ela para evitar que dormisse. Então a menina lhe disse: “Eu vou morrer.” E o policial Emerson, num momento dramático, insistiu: “Você não vai morrer! Você não vai morrer, porque eu te amo.” E disse mais: “Se você morrer, Priscila, eu morro também...” Segundo ela, estas palavras tocaram sua consciência e a fez pensar... “como uma pessoa que nem me conhece pode falar de amor e lutar para salvar minha vida?”... E decidiu que tinha que viver.

Edison Sanches - RG 2.850.199