08 de julho de 2026
JC Criança

Febre de mangás

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 4 min

Personagens com olhos grandes, cabelos com formatos diferentes e os traços estilizados não deixam dúvida: estamos falando dos mangás, os desenhos em quadrinhos no estilo japonês impressos em livros ou revistas que encantam e despertam a criatividade de crianças e adolescentes. Baseados em temas de aventura, românticos, esportivos, históricos ou para adultos, existe hoje uma grande variedade de títulos de mangás disponíveis para pessoas de todas as idades. Os desenhos japoneses, inclusive, podem ser criados ou adaptados para o vídeo ou cinema, dando origem aos animês.

Gabriel Corracini Lourenço Dias, 10 anos, aluno da 4.ª série do Colégio Seta, é fã de mangás. Ele conta que foi apresentado ao mundo das histórias em quadrinhos (HQs) japonesas por meio dos jogos de videogame e, desde então, se apaixonou pelos quadrinhos orientais.

“Gosto muito dos cartoons e mangás”, conta o garoto, que costuma criar muitos desenhos inspirados nos mangás. Ele nunca teve aulas de mangá e diz que aprendeu a desenhar sozinho. “Eu copiava os personagens do videogame e já sei fazer os olhos grandes”, diz.

Os olhos maiores e expressivos se tornaram traços inconfundíveis dos mangás. Para Gabriel, isto é uma das coisas que mais o atraem nos personagens. “Eles têm mais emoção e os desenhos parecem ganhar mais movimento”, opina. O menino é fã de quadrinhos baseados em histórias de luta e aventura. “Um deles é o ‘Cavaleiros do Zodíaco’”, diz.

O pequeno Guilherme da Silva tem gosto semelhante ao de Gabriel. Ele gosta de mangás que trazem guerreiros e muita ação. Entre elas, o “Venon”.

Um dos pontos positivos dos mangás e animês é o desenvolvimento do raciocínio e criatividade. Ao assistir e ler quadrinhos japoneses, centenas de crianças e adolescentes são estimuladas a criar seus próprios personagens e HQs inspirados no traço oriental. É o caso das gêmeas Maria Luiza Lino Gonçalves e Ana Flávia Lino Gonçalves, 13 anos e alunas da 7.ª série do Colégio Guedes de Azevedo. Além da semelhança física, as duas têm muitos gostos em comum. Entre eles, a paixão pelos mangás e a facilidade para criar personagens inspirados nos quadrinhos japoneses.

Juntas, as irmãs possuem mais de 150 personagens de mangás, os quais são cuidadosamente guardados em pastas. Maria Luiza conta que, para aprender a desenhar, ela e Ana Flávia assistiam uma maratona de animês e cartoons e, quando podiam, ficavam acordadas até tarde.

“Antes, nós não sabíamos fazer a cabeça do personagem direito, mas depois de algum tempo, fomos melhorando”, diz Maria Luiza. Atualmente, as duas fazem aulas de desenho em um ateliê da cidade para aperfeiçoar o traço.

Uma das primeiras criações de Maria Luiza foi a Nave, uma menina loira, com cabelo não convencional. “Um dos mais recentes foi o Juno”, conta ela. Ana Flávia ressalta que um de seus personagens favoritos é Aero, inventado por ela há no ano passado. “Ele tem um bichinho chamado Lume”, acrescenta a menina, que, além de criar, faz questão de aprender sobre a origem dos desenhos japoneses. “O mangá surgiu há muito tempo, quando alguns viajantes japoneses resolveram retratar suas histórias em quadrinhos. O animê surgiu depois do mangá”, explica.

Assim como Gabriel, as gêmeas dizem que o tamanho dos olhos e a expressão dos personagens são os grandes destaques dos personagens animados. De acordo com Maria Luiza, os olhos são maiores para demonstrar as emoções. “Os traços também são mais evoluídos do que os outros desenhos, têm mais ação”, diz. Ana Flávia concorda com a irmã. “Os olhos e a cabeça maior ajudam a expressar melhor os sentimentos de raiva, alegria e tristeza do personagem. O desenho fica com mais movimento e parece que os personagens estão flutuando”, aponta a garota, que faz planos de trabalhar na área. “Quero ir para o Japão para fazer e estudar os mangás e animês”, revela.

____________________ Onde procurar

- Projeto Anime, no Sesc: exibição quinzenal de desenhos animados japoneses com dois episódios inéditos a cada domingo. O evento é realizado no auditório do clube, à tarde, e tem entrada gratuita. Avenida Aureliano Cardia, 6-71. Informações: (14) 3235-1750

- Gibiteca do Centro Cultural Carlos Fernandes de Paiva: revistas sobre mangás que podem ser conferidas gratuitamente pelo público. Avenida Nações Unidas, 8-9. Informações: (14) 3235-1072.

- QGHQ: loja especializada em quadrinhos, mangás e animês. Rua Cussy Júnior, 8-51, Centro. Informações: (14) 3016-9472.