Dizem que por traz de um grande homem, sempre há uma grande mulher. Em algumas associações de moradores de Bauru, porém, as coisas costumam se dar de maneira inversa. É graças ao auxílio providencial dos homens que muitas lideranças femininas conseguem levar adiante seu trabalho.
Toda vez que vai até a prefeitura para fazer algum tipo de reivindicação, Roselaine Cássia Pletti Mussi, presidente da associação dos moradores das vilas Industrial, Pacífico, Rocha e Alto Paraíso (zona oeste da cidade), procura ir acompanhada de algum diretor do sexo masculino. “Acho que isso ajuda a impor respeito. Não sei como explicar: parece que quando a mulher está sozinha, as pessoas pensam que é mais fácil de dobrar”, diz ela.
Miraci Luiza Silva Ávila, 52 anos, presidente da associação dos moradores do Vila Cardia (região central de Bauru), também considera o apoio masculino essencial. “Eu, por exemplo, jamais enfrentaria uma marmanjão. Nós, mulheres, somos capazes de chegar até um determinado ponto. Depois disso, os homens têm que tomar a frente”, pensa.
Nem todas as líderes comunitárias compartilham dessa visão. Enquanto ocupou a presidência da associação dos moradores do Núcleo Joaquim Guilherme, Maria Isabel Adão Barbosa garante que nunca precisou apelar para o apoio masculino nos momentos de dificuldade.
“Não costumava pedir para que os homens me acompanhassem até a prefeitura, pois ia até lá com objetivos bem claros. Se fosse necessário, eu enfrentaria até um bando de marmanjos para que meus direitos fossem respeitados”, garante.
Não que ela dispensasse todo e qualquer tipo de ajuda. “É claro que a companhia de outros moradores ajudava a legitimar nossas reivindicações. Mas isso independente de serem homens ou mulheres. O importante era reunir o máximo possível de pessoas em nossos protestos”, pensa.
Para ela, as mulheres são capazes em matéria de política tanto quanto os homens. Apesar de concordar com a opinião, Ávila não é muito otimista quanto ao futuro das lideranças femininas no jogo do poder. “É sonho querermos ser independentes em um país como o Brasil, formado a partir de capitanias hereditárias e coronéis. Veja um exemplo: estamos em pleno século 21; ainda hoje, os pais enchem o peito quando ficam sabendo que as esposas grávidas irão dar à luz um menino”, pondera.