11 de julho de 2026
Nacional

Ministério Público investiga suposta negligência em tratamento de jovem

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - O Ministério Público de São Paulo abriu uma investigação para apurar irregularidades no fornecimento de ambulâncias e tratamento de um jovem que sofre de uma grave paralisia corporal desde 1999. A denúncia foi feita por uma voluntária que ajuda a família do rapaz. A prefeitura também vai averiguar responsabilidades nos atendimentos.

David Vieira de Oliveira, 16 anos, é vítima do acaso infeliz e do descaso das autoridades. No dia 14 de janeiro de 1999, uma enchente atingiu o bairro Jardim Campo de Fora (zona sul). No meio da favela, a casa de David, então com sete anos, foi uma das atingidas pelo transbordamento do córrego que passa ao lado. O muro do imóvel desabou sobre o menino, que ficou muitos minutos sob um grande volume de terra e água. Ele foi levado para a UTI do Hospital Campo Limpo (zona sul), onde permaneceria em coma por três meses. As seqüelas do acidente são terríveis.

O soterramento e o afogamento fizeram com que o menino tivesse uma grave lesão cerebral. Ela resultou na perda quase total dos movimentos. Hoje, David mexe apenas alguns músculos faciais e os olhos e alimenta-se por meio de uma sonda ligada ao aparelho digestivo. David deixou o Hospital Campo Limpo em julho de 1999. Foi levado para casa, onde ficava em uma cama hospitalar cedida pela unidade. A família diz que também recebeu um aparelho de sucção de catarro. “Depois de três meses, o hospital pediu o equipamento e a cama de volta. Disseram que uma senhora idosa precisava da cama”, conta a vendedora, babá, artesã e dona-de-casa Geralda Ramos Vieira, 45 anos, mãe do adolescente.

David passou a contar com o atendimento domiciliar de médicos do hospital. A família conseguiu a inclusão de David no disputadíssimo programa de reabilitação da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) em julho de 2000. Mas o que parecia ser uma grande chance para a recuperação de David transformou-se em um martírio. Muitas das solicitações de ambulâncias feitas à prefeitura para transporte do jovem para a AACD não foram atendidas. Resultado: David passou a faltar freqüentemente às consultas e atividades programadas pela entidade. “Fiquei até com vergonha, porque a AACD questionava sobre as faltas. Mas eu não podia fazer nada sem as ambulâncias”, diz Geralda.

Caído na ambulância

Na última vez que uma ambulância apareceu para transportar David, o veículo que deveria ajudar a manter a saúde de pacientes mostrou-se perigoso para o jovem. A maca do carro não tinha laterais nem cinto de segurança. A auxiliar de enfermagem que deveria estar a seu lado na viagem sentou-se no banco da frente do veículo, segundo Geralda. “A ambulância estava em alta velocidade, pois chegou atrasada na minha casa”, diz a mãe. Em uma curva, David foi ao chão do veículo e machucou o rosto, o tórax e as pernas.

Geralda reclamou do ocorrido na UBS Parque Santo Antônio. A direção da unidade prometeu apurar o caso. Porém, depois disso, nenhuma outra ambulância foi oferecida para levar David à AACD. A família também se queixa do término do atendimento domiciliar prestado pelo Hospital Campo Limpo, em dezembro de 2005. Os parentes dizem que o acompanhamento que passou a ser feito pela equipe da UBS não é suficiente.