Após mais de três anos fechado, o prédio da antiga Cadeia Pública de Bauru finalmente terá um destino. Será utilizado pela Superintendência da Polícia Técnica e Científica, cujos pilares são o Instituto Médico Legal (IML) e o Instituto de Criminalística (IC). Com a medida, o Centro de Perícias Médico-Legais de Bauru será ampliado e preparado para tornar-se a primeira referência na área no Interior de São Paulo.
Quando o novo prédio estiver funcionando plenamente ao lado do imóvel atual do IML, a idéia é que ele possa prestar serviços hoje concentrados na cidade de São Paulo. Entre eles, a pesquisa de DNA, que tanto pode identificar paternidade quanto o autor de estupros, por exemplo. Testes de patologia também farão parte do leque de atividades.
Por meio de exames de microscopia (técnicas que permitem a investigação científica por meio do microscópio), será possível confirmar também se uma pessoa morreu mesmo de pneumonia. Já os testes de toxicologia, atualmente realizados parcialmente por Bauru, serão concentrados na cidade. Ainda está previsto um departamento de odontologia legal, capaz de identificar uma pessoa pela arcada dentária.
“A idéia é manter a arquitetura do prédio, que faz parte da história de Bauru. Minha idéia é manter uma cela para mostrar como foi (o cadeião), colocar uma biblioteca na área de direito e um pequeno museu contando os crimes mais relevantes de Bauru. Tudo está caminhando para sermos o primeiro centro de referência do Estado”, diz Ivan Segura, diretor do IML.
Instituto de Criminalística
É possível que o Instituto de Criminalística também seja instalado no imóvel, que passará por reforma. “Mas depende do aval do coordenador da superintendência, Celso Perioli. Ele tem acompanhado essa situação”, acrescenta o diretor do IC, Hélio Rochel.
De acordo com ele, por contar com núcleo de física, química, bioquímica e grafotecnia, por exemplo, a cidade de São Paulo dá suporte para o Estado todo. Mas a proposta é que uma parte possa vir para Bauru. “Isso depende de estudo, mas a gente já está lutando. Queríamos o espaço e conseguimos”, comenta o diretor do IC.
Atualmente, o instituto funciona num anexo do Departamento de Polícia Judiciária-4 (Deinter-4), no Jardim Bela Vista. “Seria uma forma de juntar as duas unidades da superintendência”, afirma Rochel, que aponta a localização estratégica de Bauru no Estado como ponto favorável para tornar-se referência paulista.
Neste caso, a cidade também seria capaz de fazer exames de balística, que confronta projéteis para identificar de qual arma uma bala partiu.
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História
O cadeião de Bauru foi desativado em junho de 2003, época em que o Centro de Detenção Provisória (CDP) foi inaugurado. Velho, com vazamentos e infiltrações, o prédio chegou a ser reinaugurado em setembro de 1986, anos após a maior rebelião registrada na casa, em 1981.
A superlotação e as constantes depredações, frutos das revoltas internas, fragilizaram suas estruturas que, por mais de 50 anos, acolheram presos. O mais ilustre deles foi o ex-prefeito Antônio Izzo Filho. Por quatro anos, ele ocupou uma cela especial. Depois de desativado, várias destinações foram cogitadas para o prédio.
Ele seria transformado, por exemplo, num complexo de polícia especializada ou numa delegacia participativa. Até projetos culturais foram pensados para o imóvel, cujas paredes ainda mantêm frases solitárias e códigos que só os antigos moradores podem decifrar.