Os municípios brasileiros sofrem, muitas vezes, de uma certa “cegueira administrativa” e Bauru não é diferente dessa realidade. Uma má gestão pública pode inviabilizar o mercado e, assim, deixar a cidade estagnada no tempo.
Alvin Tofler divide a economia em três ondas, sendo a primeira baseada no setor agropecuário e extrativista. A segunda onda corresponde ao setor industrial. E a terceira onda representada pelo setor de serviços e informações. Sendo assim, observa-se que, no Brasil, a maioria dos municípios congrega as três ondas e, na imensa maioria das vezes, tem ocupantes de cargos municipais (tanto prefeitos quanto vereadores, e os diversos assessores de cada um deles) despreparados para o desafio de administrar e conduzir seus municípios ao futuro! Praticamente “tsunâmis” de ineficiência!
Além disso, o que o contribuinte muitas vezes sente é que o fardo é muito pesado e as Leis são desproporcionais entre governo e população. Mas o leitor poderia se perguntar: onde observamos essa discrepância? Será que existe mesmo? Então, vamos lá: caso conheça o dono de algum terreno pelo município de Bauru, questione esse cidadão sobre as suas obrigatoriedades frente a este patrimônio pessoal (tais como limpeza e calçamento) e compare com os terrenos pertencentes à prefeitura municipal. Não se espante se não observar as mesmas regras sendo aplicadas. Estranho?! Nem tanto...
E o caríssimo leitor poderia ainda pensar: “esse é um caso muito específico, não podemos levar em consideração”. Continuemos. Já que pagamos tributos, o que gostaríamos de ter: ruas em condições de tráfego? Sim! Praças em ordem? Sim! Um sistema de saúde eficaz? Sim! Poderíamos inumerar diversas, mas para exemplificar a linha de raciocínio, em Bauru, de acordo com notícias veiculadas por esse influente jornal, observamos as seguintes informações: crianças e adolescentes tapando buracos a fim de conseguir ir à escola! A decisão da prefeitura em passar praças públicas para empresas cuidarem! Parece muito?! Pois são apenas duas notícias deste jornal e em um mesmo dia!
Pois bem. Precisamos de governantes com vocação administrativa nos municípios brasileiros, pois essa não é uma realidade infeliz apenas de Bauru. Mas o que podemos fazer? Aquela velha ladainha... pensar, analisar, acompanhar e cobrar nossos governantes. Correspondeu às suas expectativas, apóie! Não correspondeu? Mude! Como? Voto, caro leitor, voto!
Pense nisso!
O autor, Ricardo Henrique Alves da Silva, é cirurgião-dentista, professor universitário e consultor em saúde - e-mail: ricardohenrique@usp.br