Brasília - Numa linha contrária aos líderes de partidos aliados, o presidente Lula manifestou ontem ter aprovado a decisão do Tribunal Superior Eleitoral de impor a fidelidade partidária aos políticos eleitos pelo Legislativo. Em conversas com interlocutores, ele disse que a medida é primeiro passo para aprovar no Congresso um modelo de reforma política que defende. Para o presidente, dizem interlocutores, o troca-troca partidário é um “absurdo”.
Além da fidelidade partidária, fortalecida anteontem pela determinação do TSE, Lula defende o financiamento público das campanhas eleitorais. O ânimo do petista se justifica pelo fato de a decisão não prejudicar diretamente a montagem de sua base de apoio no Congresso.
Desde a eleição de outubro, dos 513 deputados, apenas 36 deixaram suas siglas de origem e já constam como integrantes de outras legendas. Coordenador político do Palácio do Planalto, o recém-empossado ministro Walfrido Mares Guia disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que a determinação do tribunal de frear o troca-troca de deputados não afetará a base aliada no Congresso. Segundo ele, a decisão do TSE “deve ser acatada”.
Não é isso, entretanto, o que pensam os líderes dos partidos aliados ao governo no Congresso. Ontem, em almoço em seu gabinete, Walfrido conversou com o líder do governo na Câmara, deputado José Múcio (PTB-PE), e todos os demais vice-líderes de legendas aliadas.
Na conversa com o coordenador político do governo, todos prometeram recorrer da decisão do TSE, via direção de seus partidos. Já o vice-presidente da República, José Alencar, sinalizou ter aprovado a decisão do TSE. Segundo ele, trata-se de um primeiro passo para a reforma política a ser aprovada no Congresso.
“Eu sempre fui muito a favor que se prestigiem os partidos. Precisamos da reforma política, e ela colocará termo em tudo isso que acontece no País (...) Precisamos de uma reforma política para evitar coisas desse tipo (troca-troca partidário)”, disse Alencar, em entrevista no Palácio do Planalto.