A paralisação de 24 horas da Polícia Federal (PF) em Bauru, ontem, afetou diretamente o setor de emissão de passaportes. A estimativa é de que 30 documentos tenham deixado de ser emitidos nesta quarta-feira, já que apenas os casos de urgência foram atendidos.
Segundo Benedito Pereira de Arruda, representante sindical da categoria, outros serviços também ficaram prejudicados, como as investigações, segurança privada e os procedimentos cartorários, que incluem inquéritos policiais, indiciamentos e depoimentos. Só foram mantidos os serviços de plantão e os atendimentos a flagrantes.
Conforme Arruda, 100% do efetivo da PF em Bauru, que abrange agentes, escrivães, delegados e papiloscopistas, aderiu ao movimento, programado para terminar hoje, às 8h. Os policiais cruzaram os braços em protesto à falta de pagamento da segunda parcela do reajuste de 60% concedido pelo governo federal à categoria, ainda em fevereiro de 2006. O valor deveria ter sido liberado em dezembro do ano passado.
“Trata-se de um ato de advertência ao governo. Se a nossa reivindicação não for atendida, pretendemos prolongar essa paralisação. Por enquanto, ela será encerrada nesta quinta-feira”, ressalta o dirigente sindical. Além da reivindicação salarial, os policiais que se enquadram nas categorias de agente e escrivão pedem novo plano de carreira e melhores condições de trabalho. Conforme Arruda, os profissionais enfrentam dificuldades para cumprir a demanda de trabalho porque falta desde papel até computador nos órgãos da PF.
“Sem falar que, na maioria das vezes, os policiais recebem com atraso de até 90 dias o dinheiro das diárias que desembolsam para hospedagem e alimentação, quando precisam cumprir investigações ou outros serviços fora da cidade onde trabalham”, destaca. A categoria também reivindica a contratação de mais funcionários. Os policiais argumentam que o quadro de pessoal é insuficiente.