08 de julho de 2026
Regional

Botucatu e Avaré disputam Vigilância

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 4 min

Avaré - A cidade de Avaré (120 quilômetros de Bauru) está pleiteando junto ao governo do Estado a criação de um Grupo de Vigilância Sanitária e Epidemiológica no município. Enquanto isso, vereadores de Botucatu temem perder a Diretoria Regional da Vigilância Sanitária e Epidemiológica para Avaré.

Ainda ressentidos com a perda da Diretoria Regional de Saúde (DIR-11) - extinta no final do ano passado - um grupo de seis vereadores de Botucatu esteve ontem na Assembléia Estadual para entregar um requerimento, aprovado na sessão da Câmara de anteontem, a deputados estaduais, entre eles, Chico Sardelli (PV) e Rita Passos (PV).

O documento solicita aos deputados esforços no sentido de não permitir a retirada da Diretoria Regional da Vigilância Sanitária e Epidemiológica de Botucatu.

“A cidade que não tem deputado é uma cidade sem político. E como Botucatu está acéfala de representantes políticos surge uma oportunidade de tirar mais uma regional daqui. Estamos correndo atrás porque chega de interferir em Botucatu porque tudo sai daqui”, desabafa o vereador José Ferrucio Varoli Aria (PV).

Enquanto os políticos de Botucatu correm atrás do prejuízo, em Avaré, a vereadora Marialva Araújo de Souza Biazon (PSDB) afirma que a cidade já entregou um manifesto aos deputados estaduais, que estiveram presentes na reunião regional do PSDB em Avaré, explicando a necessidade do município abrigar um Grupo de Vigilância Sanitária e Epidemiológica.

Ela alega que 17 cidades daquela microrregião dependem de Avaré e que o município hoje é apenas um subgrupo da Diretoria da Vigilância Sanitária e Epidemiológica de Botucatu.

“Botucatu que é quem dá as diretrizes. Com esta mudança (da DIR-11 para Bauru), nós ficamos sem o básico, como veículos e computadores. Como é que nós vamos desenvolver uma vigilância de qualidade, tanto sanitária quanto epidemiológica, se nós não temos o mínimo do mínimo para trabalhar, fica difícil”, argumenta a vereadora Biazon.

Fazendo comparações, ela lembra que Avaré atende 17 municípios enquanto Botucatu é responsável por 11.

A vereadora argumenta também que a região de Avaré tem um contingente penitenciário de aproximadamente 3 mil detentos, o que influenciaria na realidade epidemiológica do município.

“Nós temos um contingente de portadores de HIV positivo imenso e nós teríamos que ter a vigilância aqui para nós ajudar. Temos também um número grande de casos de tuberculose. Como é que vamos fazer este controle sem o mínimo de condição de trabalho?”, questiona a vereadora.

Novo Grupo

Segundo ela, a intenção não é acabar com o Grupo de Vigilância existente em Botucatu, mas sim criar um novo em Avaré. “Não existe por parte do PSDB de Avaré a vontade política de tirar o grupo de Botucatu. Naturalmente que se for para criar apenas um grupo nós vamos pleitear que este grupo seja em Avaré. Mas se o governador entender que dá para manter os dois grupos, ótimo”, pondera.

Ela ressalta também que o município não tem interesses em abrigar Diretorias Regionais por achá-las burocráticas. “Não é Diretoria que queremos, mas sim um Grupo de Vigilância. Para nós, a DIR não favoreceria em nada. Nós vamos continuar a ter Bauru como referência que para nós é até melhor porque é um centro maior onde temos coisas que não conseguiríamos em Botucatu. Nós não estamos pleiteando isso”, frisa Biazon.

A vereadora conta que um grupo de políticos do PSDB de Avaré conversou com a coordenadoria da Vigilância Epidemiológica e Sanitária, em São Paulo, e que a questão estaria agora nas mãos do governador José Serra.

“O decreto destinando Botucatu como Grupo de Vigilância já deveria ter saído, mas por conta dessa ação política que nós fizemos o decreto não saiu e está esperando a palavra final do governador. Nós acreditamos que estamos tendo êxito e vamos conseguir que Avaré se torne Grupo de Vigilância Sanitária e Epidemiológica”, conclui.

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Extinção

A Direção Regional de Saúde (DIR-11) de Botucatu foi extinta no ano passado com a publicação de um decreto no Diário Oficial do Estado, na edição do dia 29 de dezembro de 2006.

Na época, a medida gerou críticas ao secretário de Saúde do Estado, Luiz Roberto Barradas Barata. Parte da estrutura da DIR-11 foi absorvida pela Direção Regional de Bauru (DIR-10), que mudou de nome e passou a ser denominado Departamento Regional de Saúde (DRS-6).