09 de julho de 2026
Nacional

Cintra pode vender marca por US$ 10 mi à AmBev até outubro

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Os controladores da portuguesa Cintra têm a opção de vender o uso da marca no Brasil para a Ambev até o dia 28 de outubro por US$ 10 milhões. Ontem, a empresa brasileira anunciou a aquisição, por US$ 150 milhões, das duas fábricas que a companhia portuguesa mantém no Brasil, em Piraí (RJ) e e Mogi Mirim (SP).

Na operação, a AmBev comprou a totalidade dos ativos da sociedade Goldensand Comércio e Serviços, controladora da Cintra. O contrato não inclui a compra nem dos ativos de distribuição da Cintra no Brasil, mas prevê o direito do vendedor de repassar a marca à empresa brasileira pelo valor de US$ 10 milhões. Esse direito deve ser exercido até o dia 28 de outubro.

O diretor de Relações Corporativas da AmBev, Milton Seligman, insistiu que a empresa brasileira tem interesse somente na ampliação de sua capacidade instalada, porque espera um crescimento do consumo de bebidas. “Nós estamos comprando capacidade (instalada de produção). Não estamos comprando nem marca nem distribuição”, afirmou. “A questão da marca tem para nós um valor bem menor que para o vendedor”, avalia.

O executivo indicou que há diferenças na avaliação dos vendedores sobre o valor da marca Cintra, que preferiram ficar com a opção de repassar o ativo para a empresa brasileira mas estando abertos a outras ofertas. “O nosso interesse na marca é muito menor do que outros players de mercado”, acrescenta Costa.

O acordo também prevê que a AmBev mantenha a produção e a negociação dos produtos da Cintra até a negociação final da marca. A produção da cerveja Cintra ocupa 50% da capacidade instalada nas duas fábricas e será paga como “produção para terceiros” para a AmBev. “A produção da Cintra fica exatamente igual”, afirma o executivo.

A AmBev vai adequar as fábricas ao seu padrão, e inicialmente, utilizar 50% da capacidade instalada para produzir seu portfólio de cervejas. As unidades de Piraí e Mogi Mirim, juntas, têm capacidade de produção de 420 milhões de litros de cerveja e 280 milhões de litros de refrigerante por ano, com utilização bastante reduzida para a produção do segundo item.

O executivo também afirmou que não espera problemas em relação ao sistema público de defesa da concorrência, mesmo com a possível aquisição da marca Cintra, que hoje detém em torno de 3,8% do mercado nacional de cervejas.