08 de julho de 2026
Nacional

‘Carnavalzão é o meu perfil’

Por Luiz Fernando Vianna | Folhapress
| Tempo de leitura: 5 min

Na sacada do Copacabana Palace, o hotel mais famoso do Rio, Ivete Sangalo faz pose de estrela para as fotos. Entre um clique e outro, brinca com as fãs que estão lá embaixo, na calçada, como se fosse uma delas: “Gritem para acharem que eu sou famosa”; “Não chorem por mim” (dando uma de Evita Perón); e ainda faz boca de Camila Pitanga quando uma das meninas diz que ela “tá de Bebel hoje” - alusão à personagem da atriz na novela global “Paraíso Tropical”.

A baiana de 34 anos concilia o status de uma das maiores vendedoras de discos do País - já são 8 milhões de unidades em 14 anos de carreira, solo e na Banda Eva - com um lado moleca que parece protegê-la de medos e dores.

Ivete até reconhece que ficou nervosa quando sobrevoou o Maracanã em 16 de dezembro, momentos antes do show que fez para 55 mil pessoas. Mas entrou no palco já brincando com sua roupa de Bat Girl (“Tô gostosa, né?”) e deu conta do recado, que chega agora no formato CD (“Multishow ao Vivo - Ivete Sangalo no Maracanã”), em 10 de abril à tela do Multishow e, em seguida, em DVD.

“Tenho medo de cobra. Agora, de negócio de trabalho não tenho medo, não. Nem de gente. Nego é que tem que ter medo de mim”, brinca ela, mais uma vez.

No show/CD, pontuado por gritos de “Tira os pés do chão” (“Falo muito essa frase, né? Mas é que na hora, negão, só vem isso”), quase não há espaço para baladas. Sucessos como “Abalou” e “Berimbau Metalizado” se misturam a clássicos de Tim Maia (“Não Quero Dinheiro”, “Não Vou Ficar”) e Jorge Benjor (“País Tropical”, “Taj Mahal”).

O ritmo é alucinante, sendo difícil entender como cantora e público conseguem suportá-lo. A tristeza é algo sem muito cartaz com Ivete.

“Talvez seja uma proteção. Já sofri para cacete. Perdi um irmão quando eu tinha 15 anos. Perder um irmão é a coisa mais dolorosa, não se compara. E olha que eu já perdi pai, mãe, tia... Conheço um caixão como ninguém. Fiquei muito encruada, então acho que supero os sofrimentos antes que eles cheguem”, diz.

Ela garante que não faz planos para além do próximo disco (“É perda de tempo, meu irmão”) e que, ao contrário de Sandy, ainda não chegou sua hora de cantar standards norte-americanos ou sofisticações afins.

“Se você olhar o perfil da Sandy, existe uma adequação maior. Já o meu (perfil) é Carnavalzão, alta pulsação. Ela chegou nesse momento, até por ter mais tempo de carreira. O meu inevitavelmente vai chegar. Mas não penso nisso agora não, véio”, diz.

O que ela garante para um futuro próximo é a troca temporária da aeróbica do palco pelo primeiro filho.

“Não vou parar totalmente (de trabalhar), porque gravidez não é doença. Mas, quando eu estiver prenha, vai ter uma questão física de não atuar em prol do menino. Não sou tão neurótica, não vou fazer um ‘Acústico’ na maternidade. Agora com vocês, o nenê: uééé, uééé. Ah, que som, que pegada, que coisa linda!’”, faz piada.

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Álbum mistura inéditas e hits

Ela lotou o Maracanã em dezembro do ano passado com 55 mil pessoas e registrou, em 27 músicas, o maior show de sua carreira: o novo CD de Ivete Sangalo, “Multishow ao Vivo - Ivete Sangalo no Maracanã” chega às lojas já nesta semana, trazendo 17 canções do show, entre elas, quatro composições inéditas e sucessos como “Quando a Chuva Passar” e “Não me Conte Seus Problemas”.

Também há participações especiais: Samuel Rosa, do Skank, Alejandro Sans, Buchecha, Saulo, da Banda Eva, e Durval Lelys, do Asa de Águia. O DVD, com a íntegra do show e extras que incluem um minidocumentário feito na Europa, fica pronto só no meio do mês de abril.

“O critério de seleção não foi a divulgação que esses artistas poderiam trazer, e sim a relação que eu mantenho com eles. Eu e Samuel temos gostos parecidos, o Durval é meu amigo desde a Banda Eva, o Buchecha é um ícone do funk melódico, o Alejandro porque compõe muito bem e o Saulo porque é uma das maiores revelações da Bahia. E o público, claro, que fez um coro ‘desgraçado’ de bom”, diz Ivete.

A cantora começa o show sobre uma moto, vestida com uma roupa de vinil desenhada pelo estilista paulistano Alexandre Herchcovitch especialmente para a data. Ao olhar para a platéia, Ivete fica visivelmente emocionada. “Não tem como descrever o que eu senti. Era um misto de alegria, de sonho realizado, de emoção, de tudo. Aquela quantidade de pessoas no show, cantando junto, foi impressionante demais”, fala a cantora.

Depois, a musa baiana trocou de roupa outras quatro vezes, aparecendo de vestidinho militar, outro vestido, branco e preto de paetês, e um vestido branco com rendas - inspirado em Maria Bethânia. Com um visual funkeira, de calça agarrada, a baiana fecha o show. Os momentos mais emocionantes ficam por conta de “Se Eu Não te Amasse Tanto Assim”, em uma grua que a aproxima do público, e “Eu Sei que Vou Te Amar”, que canta sentada em um piano de cauda.

“Eu participei de tudo. Escolhi as músicas, os figurinos, o cenário, sempre muito bem assessorada pelos meus produtores, que fazem as coisas ficarem ainda mais bonitas. Fico pensando em como fazer as coreografias, o que fazer no palco”, conta Ivete. A cantora é creditada no DVD como “diretora artística”. O CD vem em uma luxuosa caixinha de papelão, com letras e fotos do show.