10 de julho de 2026
Política

CPFL nega pressão para receber dívida e critica Tuga Angerami

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

A declaração do prefeito de Bauru, Tuga Angerami, de que a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) está pressionando a Prefeitura a pagar uma dívida de R$ 14 milhões, herdada da gestão Nilson Costa, para continuar a troca de lâmpadas de mercúrio por lâmpadas de vapor de sódio de 100 e 70 watts, conforme convênio estabelecido entre as partes no ano passado, foi rebatida pela empresa.

O convênio ficou acertado em reunião realizada no começo de março entre o prefeito e representante da empresa. A prefeitura pagaria R$ 402.253,55 em 44 parcelas de R$ 11.232,99. O valor corresponde a 25% do total do serviço. O restante seria custeado pela CPFL. Cerca de 3 mil foram trocadas, o convênio prevê a troca de 8,2 mil lâmpadas.

Para o diretor comercial de varejo da CPFL, Aírton Rasek, o prefeito Tuga Angerami está tentando desviar o foco das discussões, colocando a empresa como vilã na história. “A CPFL nunca pressionou a Prefeitura. Tudo que nós queremos é que o prefeito apresente uma proposta de parcelamento da dívida”, disse.

De acordo com Rasek, a CPFL só assinou o convênio acreditando que a Prefeitura iria acertar o débito com a empresa. “Eu disse na frente do promotor que a CPFL estava disposta a deixar de lado o acordo passado, sentar com a Prefeitura e, na mesa de negociações, ver o que a Prefeitura tem de propostas com relação à dívida, se quer parcelar em tantos meses, que tipo de juros ela quer. Repito, a CPFL nunca pressionou a Prefeitura”, ressaltou.

Rasek também questionou o não pagamento do valor total da conta de energia por parte da Prefeitura de Bauru. Segundo ele, só é pago 85% da conta desde o início da administração Tuga Angerami, e a CPFL reivindica que seja pago o valor total da fatura. “O que eu cobro da Prefeitura de Bauru, cobro das 243 prefeituras da minha área de concessão, e é cobrado no Brasil inteiro. Está previsto na portaria 456 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)”, frisou.

Bola de neve

As rusgas entre Prefeitura e CPFL podem ficar ainda piores se não houver acordo na próxima reunião, marcada para a semana que vem. Tudo porque, além da dívida antiga, de R$ 14 milhões, a empresa quer que a Prefeitura regularize outro débito, resultante do não pagamento de 15% do valor total das contas mensais de energia.

De acordo com Rasek, o contrato assinado pela administração prevê o pagamento de 100% da conta, e não apenas 85%, como tem sido feito desde janeiro de 2005, quando Angerami assumiu a Prefeitura. “Eu não sinto boa vontade da Prefeitura em querer pagar o débito, tanto o débito passado, quanto o 100% da conta atual.”, disse.

Rasek destacou que a empresa vai continuar com a manutenção normal, ou seja, trocar as lâmpadas que queimam, mas não deve modernizar a iluminação se não houver acordo. “Eu não estou trocando lâmpadas de vapor de mercúrio por vapor de sódio, que é um sistema mais moderno, enquanto esse débito não for acertado”, afirmou.

O diretor da CPFL disse ainda que a empresa tem intenção de negociar com a Prefeitura, mas o acerto deve ser feito logo, porque o débito está crescendo e, de acordo com Rasek, se transformando em uma bola de neve. “Hoje o maior débito da área de concessão que eu tenho é Bauru e não vejo boa vontade do prefeito. Por quê eu vou investir em uma cidade que não tem interesse em pagar?”, questionou.