Pensando na responsabilidade ambiental, uma construtora de Bauru, a Construbau, oferece opção de casas com captação de água da chuva aos interessados. Em dois residenciais que está comercializando, a empresa oferece como alternativa a projetos de residências já com calhas, canaletas e sistema de armazenamento de água da chuva para irrigação de jardins e lavar calçadas e automóveis.
Como a água é captada do telhado, a caixa de armazenamento deve ficar no térreo, geralmente enterrada. A capacidade mais procurada pelos clientes é a de mil litros. E para mandar essa água para as torneiras, é necessário uma bomba.
Alfredo Neme Neto, um dos proprietários da construtora, avalia que a captação de água da chuva é mais viável para imóveis área grande de cobertura. “Uma casa tem cerca de 300 metros quadrados de cobertura. Barracões, supermercados e postos de combustível, com uma cobertura mais ampla, podem obter um volume maior de captação. Aí o retorno seria maior”, avalia.
Ralph Ribeiro Júnior, também sócio-proprietário da construtora, ressalta que os clientes têm gostado da oferta. “Mesmo que a pessoa não tenha dinheiro para todo o sistema, podemos deixar as ligações prontas, para futuramente instalar o restante”, conta. “Hoje em dia, a população está mais atenta à questão ambiental e os interessados em casas com captação de água são de todas as idades”, observa.
Mas é possível também reaproveitar a água no dia a dia. Maria Eunice Nunes de Oliveira, moradora do residencial Villagio 2, conta que foi a sogra quem incentivou a família a poupar água. “Aproveitamos a água da lavadora de roupas para limpar o quintal. Além de preservar, a conta de água vem mais baixa”, calcula.
Silvana Andrade, moradora do Jardim Redentor, sempre armazena a água da máquina de lavar roupa para limpar o quintal. Como não é todo o dia que lava as roupas da família, certo dia foi até repreendida pela filha de 7 anos, quando usava a mangueira para lavar o quintal de casa. “Ela disse que a professora tinha explicado que a água no mundo estava acabando e que eu não podia desperdiçar. Contei que só quando não lavava a roupa eu usava a água da torneira para lavar a sujeira dos cachorros”, conta.
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Até água do banho
Além de residenciais, projetos particulares já estão aderindo à iniciativa de reaproveitamento de água. De acordo com o arquiteto Cláudio Ricci, defensor da idéia de reutilização da água, alguns projetos de casas em Bauru já contam com a captação de águas pluviais. Alguns foram além e possuem no projeto o reaproveitamento até da água do banho. “Ela é captada e levada a uma caixa d’água separada e depois reaproveitada nos vasos sanitários”, explica.
Um dos responsáveis pelo projeto de ampliação do Bauru Shopping, Ricci conta que a água pluvial captada no empreendimento será armazenada e reutilizada.
“Além da economia, também evita-se que a água vá para as ruas, agravando casos de enchente”, pondera. O arquiteto avalia que a construção de casas “inteligentes” é a tendência do segmento. “As últimas quatro residências que construímos em Bauru já foram projetadas para atender essa questão. E isso pode virar regra”, prevê.