São Paulo - O mercado de câmbio encerrou a quinta-feira em seu menor nível dos últimos seis anos. A moeda americana foi negociada ao preço de R$ 2,043 para venda, em queda de 1,21%, apesar de nova intervenção do Banco Central (BC), que voltou a comprar moeda de forma “agressiva”.
Para alguns analistas, a taxa de câmbio pode chegar a R$ 2,00 no curto prazo, com o recuo contínuo das taxas de risco-país. “O mercado está antecipando a formação da Ptax (taxa média de câmbio) de hoje, que vai servir para liquidar os contratos futuros de câmbio”, afirma José Roberto Carreira, gerente de câmbio da corretora Novação. A Ptax é a taxa média de câmbio, calculada pelo Banco Central.
A liquidação dos contratos de dólar na BM&F, que garantem ao investidor um preço pela moeda americana, depende da taxa de câmbio de hoje. Investidores que detém esses contratos buscam influenciar o resultado dessa Ptax, conforme seja vantajoso a alta ou a baixa desse preço de referência.
O recuo contínuo da taxa de câmbio, em paralelo aos níveis históricos do risco-país, que ontem chegou a cair abaixo de 170 pontos, têm estimulado os bancos a se desfazerem de seus investimentos na moeda americana. “Esse risco-país pode cair ainda mais. Veja o Peru, por exemplo, que tem uma taxa de 121 pontos”, acrescenta Carreira.
Ontem, o secretário do Tesouro Nacional, Tarcisio Godoy, afirmou que o país pode receber o “investment grade” ainda neste ano - a famosa classificação concedida pelas agências de risco aos países que possuem baixo risco de calote.