10 de julho de 2026
Cultura

Lanlan e Monte de Bossa se reúnem hoje para homenagear Cássia Eller

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

Um interurbano despretensioso de 10 minutos ao Rio de Janeiro valeu um salto de cinco anos na carreira do grupo bauruense Monte de Bossa. Do outro lado da linha, quem atendia o telefone era a percussionista de Cássia Eller, Lanlan. Com um pouco de conversa, a instrumentista “caiu de pára-quedas” em Bauru, no ano passado, para o estonteante espetáculo “Eller” no Teatro Municipal. Depois de sete meses, alguns intercâmbios e projetos, músicos se reencontram na cidade nesta noite, no palco do Bar do Espanhol.

Sem bolas de sabão e outras pompas do primeiro show, a apresentação de hoje segue a identidade da casa. “O espaço é um bar, então cabem músicas mais animadas”, diz Lanlan. No repertório. “Top Top” (Os Mutantes e Arnolpho Lima Filho), “Nós” (Tião Carvalho) e os clássicos “O Segundo Sol” (Nando Reis) e “Malandragem” (Cazuza) são algumas das canções que incrementam a performance.

Mesmo músicas nunca gravadas por Cássia, como “Piercing”, de Zeca Baleiro, e “Leonor”, de Itamar Assumpção, estão incluídas no show. “Itamar era um grande ídolo de Cássia. Ela já gravou várias músicas dele”, explica a percussionista, que se apresenta acompanhada dos garotos do Monte de Bossa: João Paulo (voz, violão e percussão), André Fonseca (violões), Leandro Tripodi (guitarra), Ronaldo Diegoli (teclado), Marcelo Miranda (baixo), Paulinho Almeida (bateria e percussão) e Adílio (cavaquinho e percussão).

Passado e futuro

“Em poucos meses, demos um salto de cinco anos”, afirma o vocalista do Monte de Bossa, João Paulo. Para visualizar a evolução, vale um percurso cronológico. No dia 28 de setembro de 2006, Lanlan se apresentou com os músicos no espetáculo-tributo a Cássia Eller no Teatro Municipal. Tudo registrado num DVD/divulgação, lançado em dezembro do ano passado.

À convite da percussionista, em fevereiro deste ano, os músicos conhecem a boemia da Lapa, no Rio de Janeiro, ao participar do projeto de samba Moinho da Bahia encabeçado desde 2004 por Lanlan, Toni Costa e Emanuelle Araújo e que chega às lojas no formato de CD daqui a 15 dias. “A banda toda subiu ao palco e tocamos três músicas. Foi demais!”, diz João Paulo. “Rolou uma orquestra de samba”, ri Lanlan.

Agora, com a apresentação desta noite, os projetos não acabam. O Moinho da Bahia deve acrescentar molejo aos bauruenses. “Estamos com o desejo de trazer um cantinho da Lapa para Bauru. O João está no processo de captação de recursos e, se tudo der certo, o projeto vai rolar logo com apresentações do trio”, afirma a percussionista.

Acompanhada de Fernando Nunes, ex-baixista de Cássia Eller, Lanlan também está à frente da produção do primeiro CD single autoral do Monte de Bossa, que deve ser lançado ainda neste ano. “Pedi para o João mandar algumas músicas com apenas voz e violão. Minha referência é ele. Depois, vou tirar o orgânico, o que é característico dele, para fazer um acabamento”, afirma Lanlan.

Se alguém não entende o porquê de tanta admiração, Lanlan explica. “Quando estava atrás das coxias esperando a hora de entrar no show (‘Eller’), escutei o João cantando e não sabia discernir se a voz era dele ou de Cássia projetada no telão. Era a primeira vez que estava entrando em contato com o repertório de Cássia depois que ela morreu. Fiquei encantada!”, lembra.

“Pulando feito pipoca”, é assim que a percussionista define a maneira como leva tantos compromissos. Com projetos de shows e oficinas de percussão no Rio, Bahia e em São Paulo, Lanlan ainda acompanha o músico Nando Reis na turnê de seu novo show, baseado no especial “Luau MTV” que deve ser transformado em DVD com lançamento previsto para maio. “O Nando mesmo diz que eu sou a ancestral dos infernais, porque eu tocava com eles antes de Cássia e antes dele entrar no Titãs”, afirma.

• Serviço

Monte de Bossa e Lanlan se apresentam hoje a partir das 23h30, no Bar do Espanhol (rua Piauí, 8-55). Homens pagam R$ 15,00 e mulheres R$ 10,00. Mais informações: (14) 3227-6590.