10 de julho de 2026
Bairros

Atividade atrai ‘urbanos’ para o campo

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Pensado inicialmente como uma forma de incrementar os rendimentos dos agricultores familiares, o turismo rural tem atraído cada vez mais a atenção dos moradores das grandes cidades. Em algumas regiões do Estado os urbanos praticamente dominaram o campo.

Hoje, a maioria dos empreendimentos turísticos existentes em Cunha e Santo Antônio do Pinhal, municípios do Vale do Paraíba, estão nas mãos dos “neo-rurais”. A expressão é utilizada pela geógrafa Maria Dalva Oliveira Costa para se referir às pessoas que resolveram trocar a cidade pelo campo.

Recentemente, ele defendeu tese de doutorado na Faculdade de Engenharia Agrária (Feagri) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) referente ao tema. Inicialmente, ela acreditava que o turismo rural seria uma alternativa para fixar os pequenos agricultores no campo. Durante a pesquisa, porém, ela percebeu que estava se desenvolvendo um processo completamente inverso.

“O avanço do turismo em provocou uma valorização nas terras em Cunha e Santo Antônio do Pinhal. Isso fez com que muitos produtores passassem a vislumbrar nessa situação uma forma de melhorar de vida. Com isso, os pequenos agricultores acabaram vendendo as terras para ir morar na cidade”, explica. Isto quer dizer que, ao invés de fixar, o turismo expulsa os moradores do campo

“Conseqüentemente, os pequenos produtores acabam sendo substituídos pelos ‘neo-rurais’”, diz a geógrafa. Assim que adquirirem a terra, essas pessoas passam a desenvolver um modo de vida parecido com o das grandes cidades. “Elas dotam o sítio com jardins, ar condicionado, piscina, sauna e outras formas de conforto existente. É como se transpusessem o urbano para o meio rural”, diz ela.

Em muitos casos, explica ela, o pequeno produtor até retorna para o campo, só que não mais como proprietário. “Voltam como empregados nas pousadas”, diz. Para ela, o processo poderia ser invertido caso existissem políticas públicas que incentivassem a permanência dos pequenos agricultores na zona rural.

Ela cita o caso de Louveira, na região de Campinas, onde a crescente valorização imobiliária não foi capaz de expulsar os agricultores do campo. “Lá foi desenvolvido um trabalho que permitiu aos produtores obtirem uma fonte extra de renda com o turismo. Dessa forma, eles não tiveram que abandonar as terras para melhorar de vida”, completa.