08 de julho de 2026
Nacional

Mistura de remédios pode colocar paciente em risco

Por Constança Tatsch | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Para cada mal, um remédio. O problema é que às vezes há mais de uma doença e os remédios diferentes podem reagir entre si. Isso tem nome: interação medicamentosa. A ação do remédio pode ser anulada ou potencializada. Efeitos colaterais graves também podem ocorrer.

Para se ter mais segurança, é preciso, antes de mais nada, evitar a automedicação e informar ao médico o que está tomando, mesmo que seja um produto natural ou uma simples aspirina. Patrícia Medeiros de Souza, farmacóloga e professora da UnB (Universidade de Brasília), fez um levantamento sobre o assunto. Um exemplo clássico é a mistura entre antibiótico e anticoncepcional.

Há quem diga que o problema não foi comprovado cientificamente, mas a bula da pílula informa que o uso de antibióticos pode comprometer sua ação. A explicação para isso recai sobre uma enzima, que seria estimulada pelo antibiótico e agiria muito mais, destruindo o anticoncepcional.

Um simples descongestionante nasal pode causar um problema grave quando associado a um antiespasmódico para cólicas. Alguns desses produtos aumentam a freqüência cardíaca. Se associados, podem até mesmo gerar uma parada, segundo a pesquisadora. Certos medicamentos permanecem no organismo por mais tempo do que se imagina.

Um antidepressivo pode continuar a agir por até cinco semanas. Se o paciente trocar de remédio durante o tratamento, é como se tomasse dois ao mesmo tempo. Os efeitos podem ser, entre outros, aumento da freqüência cardíaca e contração muscular.

O professor de farmacologia Eduardo Dias de Andrade, da Unicamp, alerta para a interação possibilitada por soluções anestésicas locais, muito usadas em consultórios odontológicos para fechar vasos e reduzir sangramentos. Elas podem agir com a cocaína – levando a um enfarte - ou com medicamentos para emagrecer, causando taquicardia.

Cuidados básicos com alimentação, consumo de cigarro e, principalmente álcool, são fundamentais. “Enquanto estiver tomando qualquer medicação a pessoa deve evitar o álcool. Ele irrita a mucosa gástrica, interferindo na absorção do remédio. E, por ser diurético, acelera a eliminação”, aponta Andrade.

O uso seguro de remédios também está relacionado à idade. “O metabolismo da criança só está completo aos sete anos. Não adianta diminuir a dose pelo peso, tem que tomar o medicamento adequado’’, afirma Patrícia Medeiros de Souza. “Já no idoso, a capacidade do rim e do fígado está diminuída, dificultando a capacidade de excretar. Precisa aumentar o intervalo ou diminuir a dose. Ou seja: o medicamento deve ser adequado à faixa etária.’’

A prescrição para idosos é mais complicada porque é comum que eles tenham que tomar simultaneamente uma série de remédios, facilitando as interações. “Um para o diabete, outro para pressão, para colesterol. Só que umas drogas potencializam outras. É preciso muito critério. Quem tem arritmia cardíaca toma um anticoagulante. Aí tem uma gripe e toma aspirina. O paciente pode começar a sangrar, ele corre um risco’’, diz Álvaro Nagib Atallah, chefe da Disciplina da Medicina de Urgência da Unifesp.