A política é uma atividade nobre, como foi demonstrado na plenária realizada dia 24/3 no auditório da OAB, quando a entidade e o Conselho de Leigos (CNLB) abriram amplo debate sobre a reforma política que está na pauta nacional, considerada “a mais importante das reformas”, nas palavras da deputada Luíza Erundina, convidada de honra do evento.
O presidente da OAB-Bauru, dr. Caio Augusto S. Santos, acolheu os participantes falando da importância do debate para a conquista da cidadania através do diálogo e do entendimento, seguido pelo bispo diocesano d. Luiz Antonio Guedes, que convocou os cristãos à participação política, à luz dos documentos da Igreja e do Evangelho que constituem a fundamentação teórica da práxis política dos militantes.
O dr. Wilson Batista Ferreira (o Tuim) ofereceu uma visão panorâmica do processo histórico republicano destacando o papel das elites e suas políticas conservadoras que nunca atenderam aos interesses e necessidades da maioria da população. Dr. Luiz Vitório Orti, presidente do CNLB, enfatizou o papel do laicato católico destacando ser o debate o primeiro passo para tarefa de transformação da sociedade.
A deputada Luíza Erundina discorreu sobre a reforma política lembrando que ela só será legítima, popular e democrática se a população mobilizar-se nas ruas como fez nos grandes momentos da vida nacional: “Pouco se espera de um Congresso Nacional dominado por forças conservadoras e ligadas aos interesses do grande capital.”
Os religiosos e leigos presentes, lideranças comunitárias, representantes políticos de Bauru e região, os membros do Focolare, dentre eles os que participam do Movimento Humanidade Nova e Economia de Comunhão, viveram momento de intensa riqueza política e espiritual quando a deputada discorreu sobre a sua concepção de socialismo como “a razão de ser e o motivo maior do permanente engajamento, a utopia que a impulsiona, não como algo inatingível, mas como estímulo para a luta em busca desse ideal que se identifica com o próprio cristianismo, uma singular experiência histórica de socialismo”.
Relembrou as lições vividas na década de 60 pelos religiosos e teóricos da Ação Católica - JEC e JUC -, pe. Eugene Charboneau, pe. Josef Lebret, frei Carlos Josafá e o filósofo francês Emmanuel Mounier, que incentivavam em suas obras o diálogo entre cristãos, socialistas e ateus. Foi o período profícuo daquele movimento, no qual surgiram líderes que até hoje participam da vida política do País, a chamada esquerda católica.
Por tudo isso e por acreditar na política como a forma mais nobre de serviço público e instrumento para a conquista de um novo modelo de sociedade é que vale a pena continuar a nossa luta pelo socialismo.
Isaias Daibem - professor de história da ETE “Astor de M. Carvalho”, do Centro “Paula Souza” e membro do PSOL