11 de julho de 2026
Nacional

Alunos ficam menos tempo na escola do que exige lei, aponta estudo

Por Pedro Soares | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Rio - A permanência dos alunos em sala de aula é um dos maiores desafios do País na área de educação, revela estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em média, os estudantes brasileiros de zero a 17 anos ficam somente 3,9 horas por dia na escola, menos do que as 4 horas mínimas recomendadas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação.

Segundo o estudo, feito a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, em apenas seis unidades da federação a média de horas de aula diárias é maior do que o mínimo estipulado pela LDB: Distrito Federal, Espírito Santo, São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Rio de Janeiro.

O dado diverge do registro pelo Ministério da Educação no Censo Escolar porque o MEC coleta as informações nas escolas, enquanto a Pnad é uma pesquisa em domicílios. Pelo Censo Escolar, a média de horas de estudo por dia no Brasil é de 4,4 e quase todos os Estados cumprem ao menos o mínimo.

Para mapear o problema e orientar políticas públicas, a FGV criou também um índice inédito que avalia a permanência dos alunos por meio de três indicadores: taxa de matrícula, horas de aula por dia e número de faltas.

O resultado apontou que o Distrito Federal tem a mais alta permanência dos estudantes - 0,68 -, seguido por São Paulo (0,66), Espírito Santo (0,64), Rio de Janeiro (0,62) e Minas Gerais (0,62). Os mais baixos índices foram registrados no Acre (0,39), Amazonas (0,42), Rondônia (0,43), Maranhão (0,43) e Mato Grosso (0,44).

No Distrito Federal, por exemplo, a jornada dos alunos chega a 4,8 horas. Em São Paulo, é de 4,5 horas. No outro extremo, o Acre mantém os estudantes por apenas 3,1 horas em sala de aula. “Quanto mais tempo a criança ficar na escola, mais ela vai aprender. Por isso, esse índice pode ajudar o País a definir estratégias nesse momento em que a educação ganha espaço no debate tanto na sociedade como no governo por conta do PAC Educação”, disse Marcelo Neri, chefe do Centro de Políticas Sociais da FGV e autor do estudo.

Saúde e educação

A pesquisa identificou ainda a correlação entre o maior nível educacional e o estado de saúde das famílias. Segundo Neri, 95% das melhoras percebidas na saúde das pessoas estão relacionadas diretamente ao nível de escolaridade, mesmo quando a renda (outro indicador que leva ao avanço das condições de saúde) se mantém estável.

A FGV considerou a avaliação das próprias pessoas sobre seu estado de saúde -bom ou muito bom. No caso de pessoas acamadas nas duas últimas semanas, 89,4% dos avanços têm relação com a educação, o que indica que a escolaridade tem efeito maior na melhoria da saúde do que a renda.

Além da melhora nas condições de saúde, o maior nível de estudo propicia mais chances de se conseguir trabalho e principalmente uma remuneração mais elevada, segundo o estudo. Para Neri, o chamado “prêmio” da educação no mercado de trabalho se traduz no nível de ocupação: 60,6% dos analfabetos estavam ocupados em 2005, enquanto 81,48% dos pós-graduados tinham emprego.

O maior avanço estava na passagem do ensino médio (68,11%) para o superior (78,16%). A educação possibilita, porém, mais ganhos no padrão de rendimento: o salário dos pós-graduados era 540% superior ao dos analfabetos, segundo a FGV.