08 de julho de 2026
Cultura

Metralhadora de hits

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

Só uma banda ingressou e rompeu os estereótipos, a histeria, o sexismo e a falsa austeridade em calças de oncinha do hard rock da década de 1980 e quebrou ainda a barreira do pop com videoclipes grandiosos nos anos 1990. E é justamente defendendo o que de melhor fez em sua carreira que o Aerosmith chega ao Brasil para um único show no Estádio do Morumbi, na Capital paulista, na próxima quinta-feira (12 de abril). A noite terá abertura da banda Velvet Revolver.

O Aerosmith traz a São Paulo a turnê “Route of All Evil”, que celebra seu último lançamento, a coletânea “Devil’s Got a New Disguise”, com sucessos desde o primeiro álbum da banda, de 1973. Para satisfazer o apetite dos fãs, há duas músicas inéditas, também disponíveis para download em sites de venda de MP3: “Sedona Sunrise” e a faixa que dá nome ao CD.

Se de coletâneas a discografia da banda está repleta (“Classics”, “Big Ones”, “Young Lust”, “O, Yeah!” – todas com seleções bem parecidas) é porque Steven Tyler, Joe Perry, Brad Whitford, Tom Hamilton e Joey Kramer (ou seus representantes) sabem que hits do começo da trajetória da banda, como “Dream On” e “Sweet Emotion”, ainda são capazes de levar um estádio inteiro ao delírio.

A banda foi formada em Boston em 1969, a partir de dois grupos que tinham, respectivamente, Steven Tyler e Joe Perry ao lado de Tom Hamilton. Após apresentações que garantiram ao Aerosmith repercussão estadual, a banda assinou com a Columbia Records e gravou seu disco de estréia, em 1973, de onde estourou “Dream On”.

Em 1975, o álbum “Toys in the Attic” fez dos músicos grandes estrelas do rock internacional, com sua mistura de hard rock (influenciado especialmente por Led Zeppelin), heavy metal e algo do punk. Desse disco, são os hits “Sweet Emotion” e “Walk This Way”.

No final dos anos 1970, Perry deixou a banda brigado com Tyler, por problemas com drogas e “um copo de leite”, segundo sua biografia. Após um acidente de moto sofrido por Tyler, Brad Whitford também saiu do grupo, que passou por uma fase conturbada até 1984, quando o retorno dos dois integrantes deu início a uma nova turnê. No entanto, os shows foram marcados pela dependência de drogas do vocalista.

O Aerosmith só fez as pazes com o sucesso com o cover do grupo de rap Run D.M.C. para “Walk This Way”. Em 1987, o disco “Permanent Vacation” teve os hits “Dude (Looks Like a Lady)”, “Rag Doll” e “Angel”. O caminho ao topo prosseguiu com “Pump” (1989), com os sucessos “Janie’s Got a Gun”, “What It Takes” e “Love in an Elevator”.

Invasão da MTV

Nessa época, a banda também passou a investir mais em seus clipes, o que se tornaria uma marca e sinônimo, para o público da MTV, de vídeos grandiosos com atores famosos. A emissora também apostou no grupo e na qualidade dos clipes, que ganharam alta circulação. “Get a Grip” (1993), o “disco da vaquinha”, finalmente ultrapassou a barreira do hard rock e deu ao Aerosmith fãs de todas as faixas etárias, das garotas loucas por Axl Rose e Bon Jovi aos roqueiros que idolatravam o Guns’n’Roses, Kiss, Queen, Black Sabbath e AC/DC.

A fórmula encontrada pelos músicos para produzir sucessos foi usada à exaustão em “Get a Grip”, que deixou não apenas as baladas “Crazy”, “Cryin’” e “Amazing” entre as músicas preferidas dos fãs, mas consagrou pancadas como “Eat the Rich”, “Livin’ on the Edge” e “Shut Up and Dance” entre os principais hits do grupo.

O sucessor do “disco da vaquinha”, “Nine Lives”, teve inúmeros problemas, como a demissão do produtor Tim Collins e a avalanche de críticas negativas, especialmente focadas na “fórmula de sucesso” da banda. Ainda assim, tocaram em rádios e inundaram a MTV as faixas “Falling in Love (Is Hard on the Knees)”, “Hole in My Soul” e “Pink”.

As proporções do sucesso chegaram à estratosfera com a gravação de “I Don’t Wanna Miss a Thing”, escrita por Joe Perry e Diane Warren para a trilha do filme “Armageddon”. “Just Push Play” (2001) ainda teve os sucessos “Jaded” e “Fly Away from Here” – reinvenções da mesma fórmula.

Acusados de terem se acomodado a produzir hits de seu hard pop rock, perfeitos para a voz aguda de Tyler, os músicos fizeram uma aposta alta em “Honkin’ On Bobo” (2004), tão aguardado disco de blues do Aerosmith, prometido desde uma turnê conjunta com o Kiss, em 2002. O álbum foi uma boa surpresa ao se afastar do tom comercial e pop das produções anteriores sem expurgar uma trajetória consolidada.

No ano passado, os músicos tinham planos de gravar mais material inédito, mas foram impedidos por contratempos como a cirurgia de garganta de Tyler, em março, e a recuperação do tratamento de câncer do baixista Tom Hamilton, além de conflitos com a gravadora.

• Serviço

Aerosmith faz show em 12 de abril no Estádio do Morumbi. Abertura: Velvet Revolver. Ingressos a R$ 160,00 (pista e cadeira inferior), R$ 200,00 (cadeira superior) e R$ 140,00 (arquibancada), com meia-entrada para estudantes. Informações: (11) 6846-6000 e www.ticketma ster.com.br.