09 de julho de 2026
Bairros

Explosão em loja de fogos fere 2 e danifica vários carros e casas

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Uma explosão ontem à tarde numa loja de fogos no Parque Vista Alegre (PVA), em Bauru, deu à quadra 6 da Alameda Cônego Aníbal Difrância o clima de destruição típico dos freqüentes atentados no Iraque. Mas apesar dos danos provocados num raio de no mínimo 50 metros e do susto que acometeu até quem estava a três quilômetros do local, apenas duas pessoas sofreram ferimentos leves.

Uma delas, o policial Wellington Camargo Silva, estava literalmente sentada sobre os rojões. Alugava um apartamento sobre o cômodo onde os fogos eram estocados. Ele sofreu queimaduras leves no rosto e nas costas e também teria sido ferido no tórax por estilhaços projetados em virtude do deslocamento do ar.

Quem andou pelos escombros facilmente o classifica como um homem afortunado, assim como Nilson Luís de Moraes, funcionário de uma empreiteira da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL). Ele havia concluído um serviço e estava para sair do imóvel quando as explosões começaram.

Com escoriações pelo corpo, também foi socorrido por uma unidade de resgate do Corpo de Bombeiros ao Pronto-Socorro Central (PSC). Um colega de trabalho, que presenciou a cena e ajudou a acudi-lo, lhe acompanhou. Segundo a assessoria de imprensa da CPFL, a equipe de eletricistas estava no local efetuando inspeção em serviço realizado na sexta-feira.

Medidor de energia

Ontem, a vistoria seria na caixa de entrada, onde fica localizado o medidor de consumo de energia elétrica. Ainda segundo nota enviada pela CPFL à imprensa, os funcionários não efetuavam reparos nas instalações onde ficam os equipamentos de medição. No entanto, segundo a proprietária do prédio, Maria de Fátima Ostti, a empreiteira instalava relógio para a medição de energia.

Além da loja de fogos, que estava fechada, o sobrado acolhia um salão de beleza e mais quatro apartamentos, sendo um deles habitado pela própria Maria de Fátima. Ela morava no local com o filho de 9 anos, que estava na escola no momento da explosão.

“Pedi para instalarem relógios individuais. Fiz todo o necessário (para garantir segurança). Senão, o prejuízo seria meu. A gente sempre pensa que um acidente pode ser provocado pela gente e não por um profissional”, disse a proprietária do imóvel ao atribuir a responsabilidade pelo incêndio aos funcionários da empreiteira.

Porém, segundo a CPFL, não foi encontrado indício de curto-circuito originado na caixa de entrada, onde a equipe trabalhava. Somente a perícia técnica poderá informar se o defeito foi ou não nas instalações internas.

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Energia estática

Levará cerca de 30 dias para que a perícia técnica aponte as razões que provocaram as explosões e incêndio na loja de fogos. Mas eles, no entanto, não dependem necessariamente de uma faísca. Também podem ser desencadeados pela energia estática.

Ela pode ser verificada por leigos por meio da experiência de esfregar a ponta de uma caneta num tecido e com ela atrair e levantar fios de cabelo e pedacinhos de papel. Por conta da energia estática, os bombeiros entram pisando em ‘ovos’ em locais com vazamento de gás.

Apenas o contato do sapato com o piso pode servir de ignição para uma explosão, informa o comandante interino do 12.º Grupamento de Bombeiros, major José Guerxis Aguiar. Segundo o capitão Válter Luís Sales Gonçalves, comandante da 4.ª Companhia da PM, só a presença de uma arma, munição ou o fluído de um isqueiro pode provocar uma explosão, se o ambiente for propício.