08 de julho de 2026
Turismo

Navegar é preciso

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 4 min

Os cruzeiros pela “terra australis” têm duração média de oito dias. Período suficiente para se conhecer lugares e cidades charmosas do extremo Sul do Chile, como Puerto Varas, Puerto Natales, Punta Arenas e até mesmo Ushuaia, esta já no lado argentino.

A rota inclui rios, lagos e lagunas, como o rio Paine, o Grand River e o lago Grey, de onde são retiradas pedras de gelo para o uísque dos passageiros, sempre encapotados por conta do frio que em alguns meses pode descer muito além do 0ºC.

A história da Patagônia começa a ser contada por volta de 1520, quando o escriba da expedição de Fernão de Magalhães, Antonio Pigafetta, narrou a região dos “homens de pés grandes”. Na verdade, esses índios não eram tão grandes assim, mas para os padrões espanhóis da época – os homens tinham no máximo 1,60 m – chegavam a surpreender por atingir 1,80 m de altura.

Por conta do frio intenso na maior parte do ano, esses primeiros habitantes costumavam manter fogueiras acesas, inclusive dentro dos barcos, para se aquecer. Daí o nome “Terra do Fogo”, área de várias tribos: os anokenks ou tehuelches (moradores do Norte), selknam ou onas (que viviam nus e se agasalhavam apenas com a pele de guanacos), os kawéskar ou alcaluyfes e os yámanas (do Sul), que viviam da caça de lobos-marinhos, pingüins e baleias.

Desses, os primeiros ainda têm descendentes morando em uma pequena aldeia, entre as cidades de Puerto Natales e Punta Arenas, que pode ser visitada pelos passageiros do navio Skorpios III. Aos poucos a população indígena foi diminuindo, dando lugar às povoações de colonos europeus, que muito depois do naturalista britânico Charles Darwin, o criador da teoria da evolução das espécies, se fixaram em Punta Arenas e imediações.

O contato com o homem branco foi trágico para os nativos, que contraíram várias doenças e se tornaram alcoólatras. Retirados de seu “habitat”, onde se esquentavam apenas com as peles dos animais e com o óleo retirado do lobo-marinho, os indígenas acabaram invadindo fazendas para “caçar” ovelhas trazidas da Europa, e foram dizimados pelos colonizadores.

Com o passar do tempo, as fazendas de gado e de ovelhas foram aumentando, dando lugar à fundação das cidades que, hoje, contam com total infra-estrutura. Punta Arenas, por exemplo, é a maior da Patagônia, servindo de base para os habitantes de todo o Parque Torres Del Paine e de ponto de apoio comercial, institucional, alfandegário e universitário, para moradores de Puerto Natales e vilas próximas.

Punta Arenas tem mais de 100 mil habitantes e é o principal centro urbano da região. A cidade permite o tráfego de barcos de grande tonelagem através do estreito de Magalhães e é o principal porto aéreo e marítimo das expedições à Antártida.

A partir dela, são organizados numerosos passeios aos arredores e os amantes do montanhismo, das cavalgadas e do esqui podem colocar em prática suas habilidades. O centro de esqui Cerro Mirador, situado na reserva Nacional Magalhães, conta com mais de dez pistas e a alta temporada vai de junho a meados de setembro.

Já a Ilha de Madalena pode ser atingida também a partir de Punta Arenas, navegando pelo Estreito de Magalhães. Há empresas locais que oferecem o passeio com duração de cinco horas, em média. Lá, os turistas podem observar grandes agrupamentos de aves, com destaque para os pingüins patagônicos. Eles chegam a atingir 200 mil exemplares, colocando seus ovos em covas seguras (não chegue perto que eles podem atacar para defender seu ninho).

A excursão inclui visita ao farol (monumento nacional), de onde se tem uma vista panorâmica da ilha. Dentro dele, funciona o Centro de Interpretação Ambiental, que descreve, por meio de painéis, a história da navegação no estreito, a colonização da região e a fauna e a flora do lugar.

A região de Punta Arenas, Puerto Natales e do estreito de Magalhães é constituída por imensas montanhas de granito em um processo de milhares de anos e por glaciares que formam fiordes (lagos e lagunas) de águas azuis.

A gastronomia do Sul do Chile é baseada em pescados e mariscos. Existe uma grande variedade de produtos do mar que podem ser saboreados frescos. São famosos por lá as cholgas, as almejas e os chorros, mariscos gigantes se comparados aos encontrados na costa brasileira.

Entre os crustáceos destaque para o loco e o piure, que são servidos cozidos em suas conchas. Come-se muito congrio rosa, truta e salmão. Geralmente, o pescado é servido grelhado na manteiga.

Além dos frutos do mar e dos pescados, na Patagônia são servidos outros pratos típicos, como assados de cordeiro e o curanto, uma mistura de mexilhões, moluscos e outros peixes, cozidos com carnes de vaca, porco e lingüiça. Delícias que nos cruzeiros são oferecidos com luxo e requinte.