Ao contrário dos tradicionais templos da Igreja Católica, construídos com arquitetura requintada, duas capelas em Bauru funcionam improvisadamente em casas de núcleos. Os imóveis foram comprados há dois anos pelas Igreja Católica e recebem os fiéis no Núcleo Joaquim Guilherme e Núcleo Nova Bauru.
O novo arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, quando assumiu o cargo, no mês passado, reconheceu que a Igreja Católica perdeu espaço nas grandes metrópoles frente ao crescimento urbano desordenado do País. “A Igreja (Católica) não acompanhou essa mobilidade. Faltam igrejas, sacerdotes. Não conseguimos arrumar nossa situação dentro dos mundo complexo das grandes cidades”, disse.
O bispo da Diocese de Bauru, dom Luiz Antônio Guedes, argumenta que, ao contrário das metrópoles, na cidade a quantidade de igrejas é suficiente para atender os fiéis. Porém, para acompanhar o crescimento da cidade e novos bairros, capelas são instaladas, mesmo que de maneira improvisada.
Na cidade de São Paulo existem 293 paróquias, contra 41 em Bauru. Mas, proporcionalmente ao número de habitantes, Bauru tem mais paróquias que a Capital do Estado, argumenta dom Luiz Antônio.
Um exemplo de capela que funciona de forma improviasada, para atender moradores de um bairro relativamente novo, é a Nossa Senhora do Rosário, no Núcleo Joaquim Guilherme, pertencente à Paróquia São João Batista e Nossa Senhora de Lourdes.
Tudo começou de maneira improvisada: a primeira missa foi realizada na casa de um dos fiéis, Osvaldo de Oliveira. Ele acompanhou de perto toda a trajetória, até a instalação da capela. “Durante anos, a paróquia alugou casas, onde os fiéis participavam das missas. Agora, faz uns dois anos que ela comprou uma casa”, explica Oliveira, que também é tesoureiro da capela.
As paredes de dentro da casa foram derrubadas. “A residência tinha dois quartos, sala, cozinha e banheiro. Agora, cabem umas 80 pessoas aqui dentro”, diz Oliveira. Mas, o sonho maior dos fiéis é construir uma capela nos fundos do terreno.
"Já temos o projeto da capela feito por engenheiros. Quando estiver pronta, vai conseguir abrigar até 300 fiéis”, diz. Até lá, a capela improvisada vai recebendo melhorias graças a doações e trabalhos voluntários. “Arranjamos alguns pedreiros para ajudar nas obras. É tudo difícil, mas a gente consegue”, diz. No meio do salão onde os fiéis assistem missa fica ‘guardada’ uma carriola. “Estamos sempre em obras. Fazemos o que dá para oferecer mais conforto aos fiéis”, conta Oliveira.
Nas paredes, foram instaladas recentemente ventiladores para os dias mais quentes. As paredes também são recém-pintadas. Mas esta não é única capela em uma casa na cidade. A outra, de forma similar, funciona no Núcleo Nova Bauru, pertence à Paróquia Santa Paulina.
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Luta antiga
Os católicos que moram no Núcleo Geisel e Jardim Carolina aguardam há 25 anos a construção de uma capela. Os fiéis até já pediram a criação de uma paróquia no bairro. Atualmente, a comunidade Imaculada Conceição atende 8 mil fiéis, mas esse número pode chegar a 18 mil se for transformada em paróquia. As obras de construção da igreja são lentas, mas estão em andamento.
O alicerce está pronto e alguns tijolos foram assentados, mas ainda há muito a ser feito. Como a parede da igreja é circular, a colocação dos tijolos é delicada. Qualquer erro na base pode significar uma parede com problemas. Todo o trabalho é feito por voluntários. A obra está orçada em R$ 250 mil. Destes, R$ 120 mil já foram arrecadados durante os 25 anos da comunidade em dízimos e eventos para arrecadar verba. Também está em obras o templo da Paróquia Sagrada Família. A matriz ficou pequena para o número de fiéis e precisou ser demolida. Enquanto isso, os fiéis assistem às missas no salão paroquial.