Jovens com preocupações de adultos. Desemprego, anafalbetismo, necessidade de qualificação, entre outras. “O divórcio entre o mercado e escolas emperra a entrada do jovem no mercado de trabalho”, resume o presidente do Conselho de Administração do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), Paulo Nathanael Pereira de Souza.
A falta de qualificação do aluno no período em que permanece na escola é também, na opinião do presidente executivo do CIEE Luiz Gonzaga Bertelli, a principal dificuldade enfrentada pelos jovens atualmente. Quando se fala em escola, os dois querem também enfocar o ensino superior. A cada ano, meio milhão de jovens saem da faculdade e disputam uma vaga no mercado de trabalho.
“O jovem brasileiro, lamentavelmente em face do ensino ruim que está sendo ministrado, não tem condições de ocupar espaço nas empresas”, afirma Bertelli. “Daí a importância do estágio como parte da formação profissional”, completa.
Ele argumenta que as empresas exigem conhecimento em informática e inglês, mas a escola não oferece esse ensino. “As escolas formatam suas grades curriculares e seus cursos sem saber se há espaço para esses jovens no mercado. Daí vem o desencanto da juventude e a inadequada formação”, diz Bertelli.
Outra dificuldade apontada por Nathanael Souza é o fato das empresas exigirem experiência dos alunos recém saídos da faculdade. “A própria legislação do trabalho no País exige de cada um que procura entrar no mercado uma experiência laboral anterior. É um contra-senso. Como o jovem vai fazer isso?”, pergunta.
Segundo ele, o CIEE pretende fazer a “ponte” entre o mercado e o aluno. “O CIEE tenta capacitar os jovens através de cursos, treinamentos e até pagamento de bolsa”, diz. Ele refere-se ao benefício financeiro pago ao aluno que faz estágio, no valor de R$ 500,00.
Dos atuais 300 mil jovens atendidos pelo CIEE, 60% estão no Estado de São Paulo. O Interior paulista tem metade desses atendimentos. Apesar do número parecer grande, cerca de 1,2 milhão de jovens estão esperando por atendimento da entidade filantrópica. Daqueles que fazem estágio, 70% são efetivados nas empresas, segundo afirma Bertelli com base em levantamentos feitos pelo órgão.
Atualmente, a legislação brasileira permite que o adolescente comece a atuar no mercado de trabalho aos 14 anos através de programas de jovens aprendizes, sempre com a supervisão de uma organização como o CIEE, por exemplo.
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Inauguração
Ontem, Luiz Gonzaga Bertelli e Paulo Nathanael Pereira de Souza estiveram na inauguração da superintendência do Interior paulista do CIEE em Bauru, que já está em funcionamento no município há pouco mais de 15 dias. Conforme o JC divulgou, o objetivo da entidade é selecionar jovens para fazer estágios profissionais, buscando prepará-los para o mercado de trabalho.
Além da região de Bauru, que compreende 53 cidades, a superintendência abrangerá mais de 500 outros municípios localizados no Interior do Estado.
O CIEE é uma entidade filantrópica que não recebe nenhum repasse dos cofres públicos, gerando, com o apoio das empresas, os recursos necessários para oferecer um amplo leque de serviços gratuitos aos estudantes.
Para tentar uma vaga em empresas como estagiário ou aprendiz, o interessado pode fazer sua inscrição no site do CIEE (www.ciee.org.br). No caso dos menores de idade, é preciso comparecer à sede da superintendência - na rua Virgílio Malta, 10-5, Centro - juntamente com um responsável, levando histórico escolar e documentos pessoais. O CIEE atende das 8h às 17h30. O telefone para contato é (14) 3104-6000.