A literatura será utilizada pela Fundação Nacional do Índio (Funai) em Bauru como meio para tentar minimizar estereótipos vinculados à sociedade indígena, na semana em que se comemora o Dia do Índio. A partir de segunda-feira, a fundação realizará uma exposição literária, além de inaugurar uma biblioteca específica sobre o tema.
A expectativa é que a importância dos povos indígenas seja discutida com o maior número possível de estudantes da rede pública e privada, além de pais e educadores. Para participar da exposição, as escolas não precisam nem agendar horário. Ao comparecer na sede da Funai, crianças e adolescentes terão contato com vários títulos infanto-juvenis que tratam do assunto.
Durante a visita, ainda terão a oportunidade de conhecer um taperi – barraco que os indígenas construíam quando estavam em trânsito. “Para uma caçada, por exemplo. Trata-se de um local provisório. Criamos uma réplica na Funai”, explica Nilza Moreira da Costa, programadora educacional da Funai.
Para a exposição “O Índio na Literatura Infanto-juvenil no Brasil”, ela também viabilizou a presença de uma índia terena, que estará no local fazendo biju. “Mas a massa (de mandioca), ela já vai trazer pronta”, comenta Nilza. O “passeio por terras indígenas na sede da Funai” ainda inclui a visita a uma oca e a transmissão de filmes sobre a temática.
Haverá também um quiosque onde estarão à mostra artesanatos da etnia guarani. Cestaria e adornos, por exemplo, poderão ser comprados pelos interessados. Não é o caso das cerâmicas em exposição. “Por meio dos livros, os participantes vão poder discutir a questão indígena, além de apreciar a cultura material”, acrescenta a promotora educacional.
Biblioteca
Com a exposição literária, realizada entre os próximos dias 16 e 20, Nilza tornará pública a criação da biblioteca, conforme prevê portaria assinada no final de fevereiro. Ela receberá o nome do indigenista Álvaro Villas Boas. Num espaço ainda pequeno, serão disponibilizados cerca de 400 títulos com temáticas indígenas, antropológicas e sociológicas, por exemplo.
“Existe muita procura de acadêmicos, universitários e estudantes para trabalhos voltados ao tema. A demanda é muito grande. Sentimos a necessidade (de fazer a solicitação para Brasília da instalação de uma biblioteca)”, explica Nilza.
Segundo ela, 146 títulos foram comprados no Rio de Janeiro. Outros foram encaminhados pelo Museu do Índio, também no Rio. A Biblioteca Nimuendaju, da Funai em Brasília, ainda se comprometeu a enviar obras que dispõe em duplicidade. Algumas outras já constavam no acervo da Funai em Bauru. Incluindo o mobiliário, o investimento foi de aproximadamente R$ 12 mil.
Indigenista, irmão de Cláudio e Orlando Villas Boas, Álvaro Villas Boas trabalhou durante anos como delegado da Funai em Bauru. Sua indicação para o cargo teve grande repercussão na época.
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Consulta
Embora a inauguração da biblioteca da Funai esteja prevista para a próxima quarta-feira, os interessados poderão frequentá-la após o término da exposição, que se encerra no dia 20.
A partir de então, a pequena sala com móveis rústicos estará apta a receber os interessados em consultar os títulos. Diferentemente das outras bibliotecas, não haverá necessidade de cadastro porque as obras só poderão ser consultadas no local.
Apenas funcionários da fundação têm a prerrogativa de retirá-los. Eles e os outros interessados também terão acesso a cartilhas de língua terenas, guranis e kaingang – etnias que vivem nessa região. A sede da Funai fica na rua Xingu, 7-70, no Higienópolis. Outras informações pelo telefone (14) 3224-2955.
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Bate-pau
Na próxima quarta-feira, quando a biblioteca da Funai será inaugurada em Bauru, as autoridades convidadas para a cerimônia vão acompanhar a dança do bate-pau, também conhecida como a dança da ema (Kipaé).
Trata-se de um ritual que os guerreiros terenas praticam antes de ir ao combate.