A deficiência no serviço de coleta de lixo urbano em Bauru pode piorar a partir da manhã da próxima segunda-feira, quando o Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm) deflagrará greve por falta de acordo na campanha salarial junto à Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb). A greve será lançada para todos os setores da empresa, mas uma mesa redonda realizada ontem à tarde no Ministério Público do Trabalho (MPT) garantiu 100% da coleta de lixos hospitalares e a presença nas ruas de pelo menos 50% dos trabalhadores da coleta urbana durante a greve.
O procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) Rogério Rodrigues de Freitas tentou evitar o início da paralisação ao esticar as negociações em audiências ontem e anteontem, mas a direção da Emdurb não acenou com proposta nova e não aceitou discutir cláusulas sociais, como criação de gratificação por produtividade.
O Sinserm queria, pelo menos, a equiparação do percentual concedido aos servidores da prefeitura (6,21%). Mas a Emdurb ofereceu 3,12% alegando que os R$ 3,09 a mais na proposta da administração central vieram pela necessidade de compensação ocasionada pelo aumento na contribuição previdenciária dos servidores da prefeitura. Eles passam a recolher 11% ao invés dos 8% atuais para o fundo próprio de previdência em maio próximo.
O acordo no MPT trouxe resultados apenas para a forma de conduzir a paralisação. A direção da Emdurb se comprometeu em não pressionar os funcionários que queiram aderir ao movimento e não chamar a ajuda da Polícia Militar para contornar os prejuízos causados pela paralisação se não houver desordem ou tumulto.
O Sindicato dos Servidores (Sinserm) garantiu que não vai fazer represálias contra servidores que queiram trabalhar e a direção prometeu dialogar com os trabalhadores no pátio do Departamento de Coleta de Lixo sem tumultuar a rotina do local, com a presença apenas dos diretores da entidade do lado de dentro dos portões a partir da manhã desta segunda-feira próxima.
Frota mínima
Na hora de negociar a manutenção de pelo menos 50% da estrutura da coleta urbana durante a greve, a estrutura do setor expandiu. Mesmo sem condições de manter as equipes nas ruas nos últimos meses, por sucateamento e quebra dos veículos, a Emdurb argumentou que metade de 22 caminhões terá de sair às ruas para garantia do estipulado no MPT. Assim, os turnos terão de contar com pelo menos sete veículos saindo para a coleta de lixo urbana pela manhã, um a tarde e três à noite. Segundo o acordo firmado em ata na reunião mediada pelo procurador Rogério Rodrigues de Freitas, 47 coletores e 18 motoristas terão de ser disponibilizados, a metade do quatro atual apresentado pela Emdurb.
“A Emdurb não ofereceu nenhuma contraproposta, então a negociação se esgota e eu estou entrando com ação de dissídio coletivo no Tribunal Regional Federal em Campinas na próxima segunda-feira. Não vou pedir liminar para garantir os 50% da coleta urbana e os 100% do serviço de resíduos saúde porque na reunião formal de hoje as partes aceitaram cumprir essas metas. A liminar vai pedir urgência na sentença do dissídio tendo em vista os prejuízos que a greve trará para a população”, resumiu o procurador aos presentes ao longo da reunião.
O presidente da Emdurb, Carlos Barbieri, disse que não há condições da empresa avançar na oferta de reajuste. “As cláusulas econômicas são as já apresentadas. Vamos entrar com um caminhão novo em 10 dias e encaminhar estudo administrativo sobre produtividade, mas não temos condições de pensar em conceder nada agora”, resumiu.
Para a sindicalista Idelma Corral, “a intransigência e o desrespeito da Emdurb com seus trabalhadores, concedendo reajuste abaixo do concedido aos servidores da prefeitura, é um desrespeito, uma discriminação. A falta de vontade em negociar mesmo diante dos apelos da Procuradoria do Trabalho nos leva a adotar a greve como único mecanismo de luta. Na segunda-feira, a greve estará nas ruas e vale para todos os setores da Emdurb”.