08 de julho de 2026
Politicando

Intestino de nenê


| Tempo de leitura: 1 min

Em 1976, a 10 dias das eleições, Zé Martha, com sua tradicional categoria, ofereceu um rodada de vinho do Porto, chamado pelos portugueses de Porto de Honra, para toda a equipe, na Luso.

O assunto do dia era a ameaça de impugnação feita pelos adversários com base numa distribuição de entradas de circo feita pela nossa legenda . Cada vereador recebeu uma dúzia de entradas para dar a quem quisesse. No meu caso, entreguei todos os tíquetes para o Xique-Xique levar a família. O paraibano merecia, pelo excelente trabalho desenvolvido.

- Gozado, doutor! Quando é para o bem do povo ameaçam de impugnação. Já para peixe grande não acontece nada. Veja o exemplo americano. Os Estados Unidos se dizem campeões da democracia e, no fim, os comitês revelam a fábula de dinheiro que arrecadam para as respectivas campanhas. Quer dizer: dinheiro pode, entrada de circo e madeira para barraco são proibidas .

- Provavelmente a Justiça Eleitoral queira impedir que o poder econômico domine as eleições, Xique-Xique.

- E quem disse que esses favores pessoais se transformam em voto? A coisa mais difícil é aparecer voto na urna, doutor. Noventa por cento do povo já faz previamente a escolha. Os 10 por cento restantes é que ficam igual pingue-pongue, pulando de um candidato para outro. E tem mais: urna é igual intestino de nenê. Ninguém sabe o que vem lá de dentro ...

Contado por Rui Bertoti