09 de julho de 2026
Nacional

Aerosmith prefere baladas a hard rock no Morumbi

Por Marco Antonio Jayme | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

O Aerosmith provou que não é dado a arriscar. Preferiu os hits de FM aos clássicos hard rock dos anos 70 em show no Morumbi, anteontem à noite. O grupo da cidade de Boston (EUA) não lança um disco de inéditas desde “Just Push Play”, de 2001. Tem no seu currículo nada menos que nove coletâneas. Mas quem quer saber? “Melhor ouvir baladas que desconhecidas” era a frase mais ouvida entre os pouco mais de 62 mil pagantes.

E hits não faltaram. Dos momentos hard rock, “Love in an Elevator” (que abriu a apresentação), “Dude (Looks Like a Lady)”, “Rag Doll” e “Living on The Edge”, todas foram cantadas em uníssono pela audiência. Em certas ocasiões, quase não se ouvia a voz do performático Steven Tyler devido à histeria coletiva.

O som foi de péssima qualidade durante boa parte do espetáculo. Baixa e embolada, a guitarra de Brad Whitford quase não era ouvida. Apenas a de Joe Perry, que aliás, mostrou-se um grande “showman” ao cantar “Baby, Please Don’t Go” e “Stop Messin”, dois ótimos clássicos do blues. Para completar, jogou-se na bateria de Joey Kramer depois de um ótimo solo.

As indefectíveis baladas, claro, tiveram no show seu grande espaço. “What it Takes”, “Cryin”, “Dream On”, “I Don’t Want To Miss a Thing” e “Jaded” derreteram os corações dos muitos casais presentes ao estádio. Algumas “jams” aqui, outros solos ali. Tudo na mais fina sintonia e muitíssimo bem ensaiado. Sem novidades ou frescuras.

Houve quem não gostasse de tanto virtuosismo, mas será que era hora de esperar algum lado B de algum disco perdido nos anos 70? Não.

O Aerosmith, veterano de longos anos e ex-adepto das drogas pesadas, já sabe como agradar a gregos e troianos. No bis, “Walk this Way”, música que recolocou a banda no topo no 1986, foi a cereja no bolo. Para que arriscar?