08 de julho de 2026
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Melhoria Contínua


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Manipulação

Em 1986, em Atlanta, Estados Unidos, com amigos, fui assistir o lançamento do filme “Top Gun”, com o ator Tom Cruise. Na saída do cinema, uma professora americana, que fazia parte do grupo, que demonstrava ter muita cultura e visão diferenciada, fez uma análise surpreendente do filme que me chamou a atenção. Disse ela: “Mais um filme manipulador patrocinado pelos militares americanos para estimular os jovens a ingressarem na Força Aérea, pois o meu país vive em guerra e precisa viver assim por ter a maior indústria armamentista do mundo, que por sinal é a maior patrocinadora de campanhas políticas. Motivados pelo artista famoso, jovens iludidos embarcam nessa para morrer. Uma estupidez. Basta ver a quantidade de americanos mortos em guerras.”

Após essa fala, refleti e comentei: “Estamos nos Estados Unidos, o país mais rico do mundo, o mais desenvolvido cientificamente, o mais democrático e, além do mais, com religiões rigorosas e disciplinadas. Imagina agora em meu país, o Brasil?”. Foi essa conversa que me despertou a prestar mais atenção nas sutilezas e detalhes, visando distinguir a verdade em tudo que ocorre ao meu redor.

Essa linha de raciocínio me faz lembrar de algumas pessoas que se julgam excelentes negociadoras e realmente são no curto prazo. Num espaço de tempo maior não o são, pois a verdade sempre vem à tona. Fazem da vida uma constante negociação. Com muita habilidade e inteligência costumam estruturar e comandar relacionamentos de tal maneira que o outro sempre fica devendo algo a ela.

A manipulação, que significa o ato de agir com má-fé, ocorre através desse débito. Pessoas que caem nessa malha se sentem numa prisão. Esses manipuladores são frios e não conseguem pensar no próximo. Geralmente são pessoas amáveis, sorridentes, simpáticas, educadas, gentis, falam mansamente, com tom de voz calculado, mas infelizmente são perigosas. Exploram emoções e sentimentos, mas com o tempo o relacionamento inconsistente se rompe. Ninguém gosta de ser enganado.

Nesse ambiente de competição que vivenciamos nos dias atuais, as empresas fazem de tudo para fidelizar funcionários e clientes, mas muitas ignoram ou esquecem que a fidelização é uma conquista. A fidelidade consistente é acompanhada de honestidade, credibilidade e respeito. Já a inconsistente, que dura pouco, é recheada de hipocrisia, falsidade, manipulação, mentira e interesses egoístas.

As pessoas respeitadas da sociedade são as que respeitam o próximo. As empresas mais bem sucedidas e que mais duram são as que respeitam o próximo.

Davison de Lucas é diretor da M.Davison & Associados, consultor organizacional e palestrante.