Engana-se quem associa a imagem do aparelho dentário somente às crianças e adolescentes. Embora o público infanto-juvenil ainda seja predominante, o número de adultos que procuram os consultórios para corrigir problemas nos dentes é cada vez maior. Segundo pesquisa realizada pela Associação Paulista de Ortodontia, esta estatística aumentou 40% na última década. Preocupação com a estética e preços menores são motivos fortes para justificar este cenário.
O ortodontista e professor de odontologia Leopoldino Capelozza Filho destaca que, hoje, os adultos representam quase metade do atendimento clínico nos consultórios. O cirurgião dentista Eduardo Sanches Gonçales concorda. “Estimo que de 40% a 50% dos pacientes que usam aparelho atualmente são adultos”, avalia.
Muitos deles procuram o dentista para tratar do apinhamento, ou dentes tortos, problema que é mais evidente na fase adulta. “Quando a pessoa envelhece, a boca diminui de volume e o arco dentário pode ficar mais estreito e curto, provocando a ‘ruga da boca’. É um fenômeno parecido com a ruga da face”, aponta Capelozza Filho, que acumula 34 anos de experiência na área.
De acordo com o ortodontista, o apinhamento costuma se iniciar após o crescimento e maturação do indivíduo, fase que ocorre a partir dos 20 anos, sendo progressivo até o resto da vida. Não raramente, ele atende pacientes na faixa etária dos 30 a 50 anos relatando que seus dentes eram perfeitos antes, mas depois ficaram tortos. Diferentemente da infância, é na fase adulta que as pessoas mais se preocupam com a aparência e, justamente por isto resolvem investir no “sorriso”, aponta.
A bancária Lilian de Fátima Rafacho Meyer, 40 anos, faz tratamento ortodôntico há três anos e usa, atualmente, um aparelho móvel para corrigir o posicionamento dos dentes. “Meus dentes ocupavam um espaço considerado normal dentro da boca, mas, depois que perdi peso, minha arcada dentária teve uma movimentação e resolvi procurar o dentista”, conta Meyer.
Motivada principalmente pela questão estética, Meyer aponta que o tratamento ortodôntico não é tão caro e demorado quanto muitos imaginam. “Às vezes, as pessoas não correm atrás do tratamento porque acham que não é possível e não dará certo, mas isto não é verdade”, encoraja.
A empresária Kristiana Diogo Martins, 39 anos, e o motorista Fábio Dalaqua, 23 anos, concordam com Meyer. Para corrigir seus dentes, ela colocou aparelho há cerca de dois anos e está satisfeita com a eficácia do procedimento. O rapaz iniciou tratamento dentário há 5 meses. “Por enquanto só estou usando na parte de cima. O tratamento deve demorar de 1 ano e meio a 2 anos, mas os resultados irão compensar”, diz Dalaqua. Ele revela que estranhou o uso do aparelho nas primeiras semanas, mas já está acostumado. “A boca fica diferente, mas agora está tudo certo. Dá para falar e mastigar os alimentos normalmente”, diz.
Outro fator positivo é que o mito de que “aparelho não é coisa de adulto” está caindo no esquecimento. De acordo com Gonçales, embora existam alguma diferenças, a eficácia do tratamento dentário independe da idade. “Nas crianças os resultados são mais previsíveis. Na fase adulta, onde o crescimento já se encerrou, a movimentação ortodôntica deve ser mais lenta e cuidadosa”, aponta. Há casos, inclusive, que, além do aparelho, requerem cirurgia para correção das bases ósseas. Uma das mais comuns, destaca ele, é a cirurgia buco-maxilar para corrigir a mandíbula exagerada ou mandíbula muito pequena.
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Preços
Comparado com décadas passadas, o custo dos tratamentos ortodônticos caiu consideravelmente. Nos anos 70, aponta e ortodontista e professor de odontologia Leopoldino Capelozza Filho, corrigir os dentes era item de luxo e restrito apenas à classe média-alta. “Antigamente, o número de profissionais era pequeno. De lá para cá, o tratamento tem se popularizado”, diz.
De acordo com a Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas, o tempo de tratamento nos adultos depende de cada caso, mas, em média, varia de dois a três anos. Os preços nas clínicas particulares custam, em média, entre R$ 3.000,00 a R$ 6.000,00.
O aumento do tempo e da qualidade de vida contribuem para a maior procura por aparelhos ortodônticos. “É uma evolução da sociedade. As pessoas estão cada vez mais exigentes com a estética”, avalia Capelozza Filho. O cirurgião dentista Eduardo Sanches Gonçales tem opinião semelhante. “Além disso, em relação há 20 anos, a odontologia se desenvolveu e os preços estão mais acessíveis”, diz.
Demerval Assis da Silva 43 anos, funcionário dos Correios de Bauru, aproveitou a popularização dos tratamentos dentários para investir no “sorriso”. Há 1 ano e meio usando aparelho ortodôntico, ele conta que antigamente não haviam muitos profissionais especializados e os preços eram bem caros. “Com o passar do tempo, a idade se acentua e meus dentes estavam ‘abrindo’ mais. Senti que deveria corrigir.”