08 de julho de 2026
Nacional

Técnica simples resolve orelha de abano no bebê

Por Constança Tatsch | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Às vezes, um pequeno detalhe na aparência de uma criança pode render brincadeiras cruéis dos coleguinhas. A orelha de abano é um exemplo. Para evitar as gozações, uma técnica pode corrigir esse defeito já no bebê. É a moldagem, que existe há mais de uma década, mas não é um procedimento comum principalmente em razão da falta de informação das famílias, dos pediatras e da dificuldade de o cirurgião plástico ter acesso ao pequeno paciente.

Com um pouco de algodão ou silicone, o cirurgião plástico ou um pediatra acerta o formato das dobras. Um esparadrapo serve para prender a orelhinha na mastóide - o osso que fica atrás da orelha. O procedimento, simples e barato, é indolor.

De acordo com o cirurgião plástico Alexandre Piassi Passos, que trabalha nos hospitais Sírio Libanês e Albert Einstein, a moldagem deve começar logo nos três primeiros dias de vida, quando a cartilagem está ainda mais mole em razão das altas taxas de estrogênio materno que estão no bebê.

Não há consenso sobre a idade limite. Alguns médicos afirmam que é possível fazer até os 4 meses. O curativo deve ser mantido todo o tempo. E a moldagem demora cerca de dois meses. Com isso, a orelha fica com as dobras certas e na distância correta da cabeça.

“Isso é comprovado cientificamente’’, afirma Antonio Graziosi, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. “Com certeza, não só o abano, mas outras deformidades, você corrige’’, afirma Max Pereira, cirurgião plástico da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Segundo ele, a técnica não é muito utilizada primeiro pela dificuldade de acesso do plástico ao paciente. “Outro ponto é a falta de informação da família e até do pediatra. O problema acaba passando e só vai resolver quando a criança cresce.’’

É essencial que a família seja orientada por um profissional capacitado, que vai ensinar detalhes técnicos para garantir o sucesso do tratamento e o bem-estar do bebê. “Muitas mães têm o hábito de pregar a orelhinha com esparadrapo sozinhas, mas nós somos contra, porque a pele do bebê é muito delicada e o esparadrapo pode ferir ou causar uma reação alérgica’’, afirma Jocileide Campos, presidente do departamento científico de cuidados primários da Sociedade Brasileira de Pediatria. Segundo ela, a maioria dos pediatras não conhece a técnica de moldagem.

Quando a moldagem não é feita, a solução é a cirurgia plástica – conhecida como otoplastia -, que pode ser realizada após os 5 anos. Ela é feita pela parte de trás da orelha. Geralmente, a cartilagem é raspada e depois são dados pontos.

A otoplastia é a cirurgia plástica estética mais precoce que se pode fazer. Os resultados costumam ser até melhores nas crianças do que em adultos. O pós-operatório é um pouco delicado. O paciente pode sentir dor e pode haver inchaço. Grande parte dos médicos ainda recomenda o uso de faixa - como de um tenista - por cerca de um mês durante o dia. À noite o cuidado precisa ser maior e demora mais para abandonar a faixa.

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Cirurgia

A cirurgia para correção da orelha de abano pode ser feita a partir dos 5 anos, mas os especialistas afirmam que o ideal é deixar que a própria criança manifeste interesse em corrigir o defeito.

Logo que entram na escola, as piadinhas começam. “As crianças não perdoam. Aí ela mesmo pede para os pais para fazer a cirurgia. E assim se evitam transtornos psicológicos’’, afirma Antonio Graziosi, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Apelidos como “orelha de elefante’’, “Dumbo’’ ou “Topo Gigio’’ podem afetar psicologicamente as crianças e atrapalhar seu desenvolvimento social. Por isso, os pais devem dar atenção às queixas. De acordo com o cirurgião plástico Alexandre Piassi Passos, quando a iniciativa é da própria criança, o resultado da operação é melhor. “Quem deve procurar a plástica é o paciente. E o resultado flui melhor, o pós-operatório é muito mais tranqüilo’’, afirma.

Os médicos, porém, não condenam a vontade dos pais de proteger os filhos de chacotas. Só que, muitas vezes, eles se preocupam, mas para a criança está tudo bem. “Às vezes ela não se importa. Tem que partir da criança, ela que vai reclamar. Quantas pessoas têm orelha de abano e não reclamam?’’, diz Max Pereira, cirurgião plástico da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).