Chega o fim de semana e com ele as baladas, namoro e Viagra. O acesso fácil à pílula azul tem feito aumentar o consumo indiscriminado de medicamentos contra impotência entre os jovens, mesmo que eles não precisem usar a droga.
De acordo com especialistas, a curiosidade e a melhora da performance sexual são os principais fatores que levam pessoas entre 16 e 25 anos a fazerem o chamado “uso recreacional” dos medicamentos contra disfunção erétil.
A psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (Prosex), também atribui à falta de conhecimento do perfil feminino a valorização exagerada da ereção.
“Não conhecer os interesses da mulher com relação ao sexo é o que leva o menino a considerar fundamental ter e manter ereção da forma mais otimizada possível. O menino precisa aprender que outros elementos como a atenção, o carinho, o afeto e as preliminares são importantíssimos para a mulher”, afirma.
Além disso, alerta Carmita, o uso de medicamentos como o Viagra atrapalha o desenvolvimento normal da sexualidade nos jovens. “O Viagra é algo na fantasia deles, que os faz acreditar que vão ter um desempenho melhor”, diz.
Por causa disso, cada vez mais homens saudáveis procurem os balcões das farmácias na busca de medicamentos para disfunção erétil, sem apresentar a patologia. Em consulta a algumas farmácias de Bauru, a reportagem constatou que a procura do Viagra por jovens é grande, apesar de ter diminuído. O gerente de uma dessas drogarias afirma já ter visto o medicamento ser vendido para homens jovens sem a prescrição médica adequada.
Vício
Medicamentos como o Viagra têm o papel definido de auxiliar o homem a retomar sua vida sexual que, por algum problema, de ordem orgânica ou psicológica, ficou prejudicada. Mas alguns jovens estão fazendo o caminho inverso: usam o Viagra ainda na fase de iniciação sexual. Por insegurança ou diversão, muitos começam a consumir a droga sem necessidade e podem acabar se tornando dependentes da “pílula mágica”.
De acordo com Carmita Abdo, não há risco na associação do Viagra com o consumo de álcool e drogas, o que pode acontecer nas baladas. No entanto, esses jovens correm o risco de se viciarem nesses medicamentos, e só conseguirem uma resposta sexual depois de tomar a pílula azul ou similares.
Já existem os “viciados” em remédios para impotência, não apenas o Viagra, que não saem de casa sem um comprimido no bolso. São pessoas que, na maioria das vezes, não têm problemas de impotência, mas que aderem a medicamentos para dar uma “carregada” na performance.
Nesses casos, o principal problema não é de ordem fisiológica, mas sim psicológica. Carmita Abdo alerta que as pessoas que tomam remédios para impotência sem orientação médica correm sérios riscos de começar a depositar no medicamento uma energia que não existe.
Há casos de jovens, segundo a psiquiatra, que já se iniciam sexualmente fazendo uso desses remédios, “preventivamente”, para garantir que não vão falhar, nas suas primeiras experiências sexuais. Logram êxito, o que tributam inteiramente ao medicamento, não conseguindo mais se libertar desse expediente, mesmo após terem adquirido prática suficiente para se sentirem naturalmente seguros com seu desempenho sexual.
Médicos alertam que outro problema sério é a falta de entendimento das pessoas que fazem uso desses medicamentos, de que transar não é uma coisa para toda hora. Quem toma Viagra em uma balada quase sempre não está em condições ideais para uma transa: bebeu demais ou está cansado, por exemplo. Por isso precisam do remédio para conseguir ter ereção.
Em suma, o que deve ser ressaltado em se tratando do uso “recreativo” dos remédios para impotência é o risco da dependência. Para quem não sofre de impotência – 90% da população masculina –, o ideal é transar naturalmente, sem o uso de medicamentos, participando de todas as etapas de uma relação sexual. O uso desses remédios sem necessidade causa um dano que é criar um atalho não ideal nas relações sexuais. Em vez de todas as etapas do sexo, inclusive a do envolvimento emocional, tem-se atos exclusivamente carnais e só a parte final da relação.
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Você sabia?
• Que para funcionar medicamentos como o Viagra dependem do desejo sexual? O cérebro recebe uma informação gerada pelo estímulo sexual, que desperta o desejo e é transmitido através de corrente elétrica pelos nervos e por substâncias que circulam no espaço entre eles. A substância final que é levada do nervo para o pênis se chama óxido nítrico, responsável por aumentar uma outra substância chamada de GMP, que relaxa o músculo do pênis, levando-o à ereção.
• Que o Viagra surgiu por acaso? A fórmula que deu origem ao medicamento de hoje estava sendo testada como um medicamento para tratamento de hipertensão. Os homens que participavam do estudo não queriam devolver os comprimidos no final de cada fase da pesquisa. Os médicos começaram a investigar o que estava acontecendo e os homens acabaram revelando que tinham ereções mais facilmente quando tomavam o comprimido. Foi a partir dessa demanda que se desenvolveu o medicamento que hoje existe no mercado.