07 de julho de 2026
Geral

Comprar roupa e acessar Internet são compulsões comuns

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Se não comprar algumas peças de roupas a semana não estará completa para Bruno Mendonça Camargo, 19 anos, gerente de uma loja no Bauru Shopping. Em média, ele compra de quatro a cinco peças toda semana. O salário dele é gasto quase que exclusivamente para saciar esse desejo incontrolável de sair às compras.

Já aconteceu de Bruno comprar roupas parecidas com outras que já tinha em casa simplesmente porque ele havia esquecido de tê-las comprado um dia. São tantas calças, camisetas e calçados que eles chegam a ficar meses guardados no guarda-roupa antes de serem usados pela primeira vez. “Nem sempre utilizo tudo que compro. Às vezes, acabo esquecendo”, diz.

A justificativa para tanta obsessão por roupas tem a ver com a moda. Vaidoso, Bruno gosta de acompanhar sempre de perto as novas tendências. Modelos novos, cores novas. Enfim, tudo o que é novo chama a atenção. A cada troca de estação, o guarda-roupa é renovado. “Já passei por dificuldades financeiras, mas nem assim deixei de comprar”, conta ele.

Bruno diz ter adquirido o vício da mãe, que também era uma compradora compulsiva. “Cresci vendo isso e acabei incorporando esse hábito”, justifica. Com 14 anos, Bruno conseguiu seu primeiro emprego. De lá para cá, foi se aperfeiçoando na arte de gastar. Há oito meses, começou a trabalhar como gerente de uma loja de roupas no Shopping. É como se um apaixonado por música fosse trabalhar em uma loja de CDs.

Bruno conta que sua maior loucura nessa sua compulsão por compras foi entrar em uma loja para comprar um simples boné e sair de lá com uma conta de R$ 1.000,00 em roupas. E o que é pior, “sem necessidade alguma”, admite o gerente.

Já a estudante Jéssica Pagan Faria, 14 anos, é viciada em Internet. Ela não fica um dia sequer sem falar com os amigos pelo MSN ou o Orkut. São horas e horas na frente do computador. De manhã, ela trabalha, mas sempre que sobra um tempinho aproveita para navegar. À tarde, ela vai para a escola e aí não tem jeito. A abstinência é total. Mas basta chegar em casa e lá está ela de novo sentada na frente do monitor. Antes mesmo de tomar banho, ela liga o computador e se conecta ao MSN e coloca a mensagem “ausente”. Para não “perder tempo”, ela faz o lanche na frente do computador, enquanto conversa com os amigos através do mundo virtual.

Nos fins de semana, é comum ela varar as madrugadas plugada na rede. “Quando não agüento mais, vou dormir”, fala Jéssica. Quando viaja, é outro tormento. “Eu fico pensando na hora de voltar para casa só para poder ligar o computador”, confessa.