09 de julho de 2026
Geral

Vaidoso, químico passa 4h na academia

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

A busca pelo corpo perfeito faz o químico Cassiano Alves, 24 anos, gastar quatro horas diárias de sua vida malhando em academia. O objetivo é perder peso com os exercícios aeróbicos para depois ganhar massa muscular nos aparelhos de musculação.

Cassiano diz que tem tendência a engordar. Por isso, não pode descuidar da forma física. Com aproximadamente 1,70 metro de altura, ele chegou a pesar 101 quilos. Depois de muito esforço nas salas de ginástica, conseguiu chegar aos atuais 83 quilos, mas ainda é pouco. “Preciso chegar aos 75”, estabelece ele.

Cassiano quer aproveitar enquanto está desempregado para alcançar seu objetivo. Ele sabe que depois que voltar a trabalhar não terá tanto tempo disponível para malhar. Mas quatro horas todos os dias não é muita coisa? “Os professores já vieram falar para eu pegar mais leve, não forçar tanto os músculos. Mas até agora (o excesso) não me fez mal”, diz.

Ele freqüenta a academia há seis anos. Quando estava empregado, malhava duas horas durante o intervalo para o almoço e mais duas quando encerrava o expediente. Figurinha fácil dentro da academia, Cassiano não pensa um minuto em parar. O espelho é sua maior motivação. Enxergar um corpo bem definido, sem os indesejáveis “pneus”, é seu principal estímulo.

Para especialistas, atividade física em demasia pode ser considerada um transtorno psíquico, que eles chamam de vigorexia. É algo parecido com a anorexia. A diferença é que os anoréxicos nunca se acham magros o suficiente, enquanto os vigoréxicos jamais se consideram forte o bastante ao se olhar no espelho.

De acordo com o professor Cassiano Merussi Neiva, da Unesp, na maioria dos casos, a vigorexia está ligada à baixa auto-estima. “São pessoas que passaram por humilhações na infância e agora tentam compensar com uma forma física invejável”, alega.

Há outros tipos de vícios, que parecem inofensivos, mas impõem um grau de dependência muito forte. É o caso do café. Tem gente que não consegue ficar sem. Um auxiliar administrativo de 35 anos, que pediu para não ser identificado, diz que já tentou diminuir a quantidade de café que toma todos os dias, mas não conseguiu. Segundo ele, são cerca de 12 xícaras diárias de café. Esse hábito descontrolado foi inclusive motivo para conversa com uma psiquiatra. “Eu já percebi que o café me deixa mais irritado, mas eu não consigo deixar de beber”, confessa. O consumo é maior de manhã, quando o clima está mais ameno, e nos dias chuvosos. No supermercado, o lugar reservado ao cafezinho é parada obrigatória.

Ele conta que nunca tomou tanto café como agora. E esse hábito já faz um tempinho que vem sendo cultivado. “Desde que me conheço por gente eu tomo café”, conta.