08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Minha performance


| Tempo de leitura: 3 min

Gostaria de expor aos leitores o porquê me atirei em uma performance em frente e dentro da Câmara dos Vereadores de Bauru.

Sou ator e performer.

Sou um ser que passa ao seu lado nesse momento. Você pode não perceber.

Fruto desta cidade desde 1956 e dessa imensa comunidade de artistas desde 1973, comunidade essa formada por atores, bailarinos, músicos, cantores, artistas plásticos, cineastas, poetas, cenógrafos, escritores, etc, e de toda uma imensa equipe de profissionais que sobrevivem com nossos projetos como técnicos, criadores, executores, “muita mão de obra em ação”.

Pagamos altos impostos em tudo que compramos por aqui. Sabemos disso.

Pagamos impostos municipais, territoriais para que se possam pagar nossos representantes na Prefeitura, na Secretaria de Cultura e na Câmara dos Vereadores.

Escrevo nesse momento porque me permito à liberdade e à minha vigília. A vigília do observador que tudo vê.

As coisas não estão bem por aqui. Mas sabe aquela frase: “Você precisa fazer a sua parte, então, eu tô fazendo a minha!”?

Dancei butoh e vou continuar dançando butoh todas as vezes que causas que me afligem e atingem a minha categoria vierem à tona no plenário da Câmara. Todas as vezes que causas tocarem em meu coração com justificativas racionais e coerentes.

É meu mundo, senhor leitor, minha vida. Tenho fé de que as coisas vão melhorar, mas acredito também que temos que arregaçar as mangas e continuar na trajetória.

Ah!, a trajetória, esta sim é tão importante quanto. Temos projetos culturais selecionados e aprovados, engavetados. O programa – lei 5042/03 - não está sendo cumprido em nossa cidade. A máquina está parada por conta de interesses de uma minoria.

Temos projetos que nos ocuparam muito tempo, muito investimento, muita pesquisa para conseguirmos elaborar e desenvolvê-los enquanto idéias. É um longo caminho a ser percorrido. Não temos salários, não temos planos de saúde, não temos registro em carteira, não temos direitos trabalhistas... Não temos nada, somos órfãos da existência.

Mas vejam, leitores, a contradição: temos uma profissão reconhecida pelas nossas leis. Todos os anos temos uma quantidade enorme de jovens artistas que se formam nas universidades e que são colocados no mercado de trabalho e que precisam de oportunidades.

Precisamos cada vez mais apoiar e prestigiar as manifestações culturais sejam elas quais forem. E mais, precisamos mostrar ao mundo as manifestações artísticas culturais originadas em nossa cidade, como fruto deste imenso cesto de frutas que é a nossa querida cidade de Bauru. Nossa cidade também.

Dancei butoh porque quero solução por parte de nossos representantes no Legislativo. Quero o apoio deles para com nossa causa e nossa categoria.

Nos anos 70 dei apoio à regulamentação de minha categoria e dancei; nos anos 80 dei apoio na criação de centros culturais e dancei novamente; nos anos 90 apoiei a criação de mais leis de incentivo e dancei; e continuo hoje no aqui e agora, nos anos 2000, dançando por causas que julgo necessárias ao espírito humano. Essa espécie em extinção.

Quero apoio para comigo e para com todos os profissionais que colaboram conosco em nossa profissão: técnicos, pintores, ferreiros, escultores, costureiras, estilistas, maquiadores, cabeleireiros, artesãos, publicitários, designers gráficos, fotógrafos e a todos que nos rodeiam com suas especialidades e colaboram para que nossas produções, nossas criações aconteçam.

Quero solução, quero transparência, quero verdade, quero que as coisas andem, liberem o que está para ser liberado. Cumpram-se as leis. Não fiquem atravancando a vida e nosso trabalho com picuinhas e mazelas. Ata ou desata! Solução senhores, solução! De bla-bla-blás senhores políticos, estou cheio!

Estou farto de blasfêmias, essas sim, são inúteis, argumentos vazios perdidos em devaneios. Acordem improdutivos! Vou continuar dançando. Obrigado pela atenção e recebam um forte abraço.

Val Rai