O que parecia ser um desaparecimento transformou-se num caso muito mais complicado de entender. Somente seis dias depois de vasculhar hospitais e delegacias de Bauru, a mulher do pedreiro Rivelino Pereira Soares, 34 anos, descobriu que o marido havia sido atropelado, ficado em estado gravíssimo e passado por três cirurgias sem que nenhum procedimento fosse avisado aos familiares, mesmo com o paciente tendo dado entrada no Pronto-Socorro Central (PSC) com seus documentos de identificação.
A história começou no dia 5 deste mês. Segundo a esposa de Soares, Maria Cremilda de Souza, 36 anos - grávida de 8 meses -, ele saiu de casa, no Jardim Flórida, de bicicleta, por volta das 16h30, para visitar a mãe no Núcleo Fortunato Rocha Lima, como fazia com freqüência e sempre com sua carteira no bolso.
“Estamos casados há 15 anos, ele sempre chegava até as 21h30. Quando deu meia-noite, comecei a entrar em contato com parentes e a ligar para hospitais e delegacias”, conta a mulher. “Não encontramos ele em nenhum lugar e avisamos até mesmo parentes em Penápolis, que também não tinham notícias dele”, completa.
Cremilda conta que esteve quatro vezes no PSC e no Hospital de Base (HB) à procura do marido. “Duas vezes fui com cada uma das minhas cunhadas, mas eles falavam que nenhum Rivelino havia dado entrada”, diz.
A mulher diz que registrou boletim de ocorrência no dia seguinte ao desaparecimento, no Plantão Policial. “Levei uma foto dele e o policial disse que a partir de segunda iriam investigar”, afirma.
Atropelamento
Na segunda-feira (dia 9), após ligar para diversas delegacias à procura de informações, Cremilda pediu ajuda a uma vizinha. Solidária, ela teria descoberto a existência de um boletim de ocorrência lavrado no dia 5 no Plantão Policial, revelando que Rivelino teria sido atropelado no quilômetro 348 da rodovia Bauru-Marília, por um veículo de transporte de presos proveniente da penitenciária de Presidente Prudente, e que teria sido levado ao PSC.
“Depois disso ligamos para o pronto-socorro e para o hospital e eles falavam que tinha uma pessoa que poderia ser ele, porque não tinha endereço e documentos”, diz.
Cremilda conta que na terça-feira foi até o HB e “invadiu” a UTI para procurar o marido. “Encontrei ele todo inchado e confesso que não consegui reconhecer direito, mas meu coração dizia que era ele. Depois a minha sogra confirmou”, revela.
Depois de tanto transtorno, Cremilda descobriu que Rivelino está em coma, respira e se alimenta através de sondas e que passou por três cirurgias, uma na cabeça, uma perna e outra para retirar o baço. Ela afirma também que encontrou a carteira do marido no setor de assistência social do PSC. “Estava dentro de um saquinho com a indicação e os R$ 300,00 que ele carregava”, conta. “É uma falta de respeito”, desabafa a mulher, que têm três filhos com Rivelino e espera a chegada de mais um no próximo mês.